segunda-feira, 18 de agosto de 2025

A RODA EM EXTENSÃO NA UFPI

 Encontro da RODA GRIÔ com PIBID no Programa de Extensão ARTE, ENSINO E PESQUISA: A FORMAÇÃO DOCENTE E AS QUESTÕES DE GÊNERO, EDUCAÇÃO E AFRODESCENDÊNCIA. Fotografia do dia 26.05.2025. Acervo Roda Griô, 2025. 


28.03.2025 - Encontro da RODA GRIÔ com PIBID no Programa de Extensão ARTE, ENSINO E PESQUISA: A FORMAÇÃO DOCENTE E AS QUESTÕES DE GÊNERO, EDUCAÇÃO E AFRODESCENDÊNCIA. Fotografia do dia 28.03.2025. Acervo Roda Griô, 2025. 



O “Núcleo de Estudos e Pesquisas RODA GRIÔ/GEAfro: Gênero, Educação e Afrodescendência” iniciou em março de 2025 alguns trabalhos de extensão junto a Universidade Federal do Piauí.  Para que possamos acompanhar o desenvolvimento destas atividades iremos postar algumas informações aqui. Todas as tarefas e estudos estão sendo realizadas em conjunto com estudantes também do PIBID, como atividade de formação docente. Pois, sentimos que faltava na discussão sobre docência a realidade de Teresina, no Piauí, frente aos desafios que os estudantes enfrentam nas escolas devido aos racismos, às misoginias, aos preconceitos de classe e outros tipos. Todas as atividades ocorrem às sextas-feiras no Centro de Ciências da Educação (CCE) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), sala 445 ou on-line. Além de reuniões das equipes – quando necessário. 

Tipos de Ações que irão de 2025 a 2028:

1. Programa de Extensão ARTE, ENSINO E PESQUISA: A FORMAÇÃO DOCENTE E AS QUESTÕES DE GÊNERO, EDUCAÇÃO E AFRODESCENDÊNCIA – conta com: 

1.1 Projeto de Extensão: “Projeto COVID-19 Narrativas e Cuidados das pessoas afrodescendentes em relação à Pandemia” (continuação de 2020) 

1.1.1 Ação: Diálogos ou narrativas e Confecção do segundo e-Book com as experiências pós-pandêmicas de cuidados das pessoas afrodescendentes.  

    Sobre o projeto de extensão PROJETO COVID-19: Narrativas e cuidados das pessoas afrodescendentes em relação à pandemia é o resultado de uma experiência iniciada no dia 10 de abril de 2020 quando o Núcleo de Estudos e Pesquisas Roda Griô – GEAfro: Gênero, Educação e Afrodescendência da Universidade Federal do Piauí começou a realizar videoconferência, via internet em plataformas digitais, como atividade remota dos estudantes e da comunidade que já participava do Núcleo em períodos anteriores à Pandemia do COVID-19. Nessas videoconferências, cada participante tinha alguma narrativa para ser socializada como cuidado e nova experiência sobre o contexto pandêmico e seus desdobramentos. Através desse canal de compartilhamento de dores, medos, incertezas e muito esperançar (no sentido de fazer algo para não apenas esperar) começamos uma jornada de discussão sobre nosso bem-viver e os aspectos dos cuidados que essas narrativas fortaleciam em cada praticante cultural. Portanto, este projeto é uma tentativa de ampliar essas experiências, já que uma das maneiras de se trabalhar a vulnerabilidade da população afrodescendente é justamente a formação de comunidades que criam redes de colaboração/confiança, bem como, de interação, informação e conhecimento mais seguros diante dos desafios atuais. É também uma maneira de buscar colaborar com o trabalho de setores de atendimento da universidade no atendimento à comunidade estudantil, mas também não estudantil, com relação à saúde mental e emocional de uma população que já é majoritária no Estado do Piauí: as pessoas afrodescendentes: mulheres e homens jovens, adultos, idosos, sem discriminação de gênero e de formação educativa, desempregados ou em subempregos.

1.2 Projeto de Extensão Arte como Narrativa e Cuidado de Mulheres Afrodescendentes na Pandemia/2021 (continuação de 2021-2022):

1.2.1 Evento: Exposição virtual – Tecendo Narrativas Múltiplas. Esta exposição já aconteceu no primeiro momento deste projeto. Agora, vamos dar continuidade com inscrições de artes inspiradas nas vidas e cuidados que as mulheres afrodescendentes exercem na sociedade atual, especialmente a sociedade teresinense e como como estes cuidados chegam às escolas em decorrência das ações dos alunos. 

    O Projeto de Extensão Arte como Narrativa e Cuidado de Mulheres Afrodescendentes na Pandemia/2021 tem como objeto de estudo/prática a arte como narrativa e cuidado de mulheres afrodescendentes mães/tias/conhecidas de estudantes da UFPI em suas diásporas (movimentos) cotidianas desde a pandemia da COVID-19, uma doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 (disseminado no mundo no final de 2019). A partir dos estudos em rodas de conversas, de contatos realizados com estas mulheres, pretendemos realizar episódios de podcasts (programas de áudio em que ouvinte pode escutá-los na hora que quiser, ao contrário dos programas de rádio tradicionais) como produções narrativas orais. E, publicar estes podcasts com as narrativas imagéticas das artes das mulheres no Facebook (plataforma que reúne função de site e rede social onde podemos publicar diferentes conteúdos) ou no Instagram. Tanto os podcasts e as postagens imagéticas serão feitos pelos estudantes do Curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Piauí. A divulgação on-line será feita nas redes sociais do Núcleo de Estudos e Pesquisas Roda Griô GEAfro: Gênero, Educação e Afrodescendência da UFPI, mais conhecido como Roda Griô. O intuito é de contribuir com a visibilidade social destas mulheres e, ao mesmo tempo, com a divulgação de sua fonte de renda (suas produções artísticas, consideradas aqui como narrativas de cuidados). Queremos saber quais saberes artísticos são construídos pelas mulheres afrodescendentes, ou sobre estas, enquanto narrativas que mostram o cuidado de si e/ou dos outros em situações que vivem ou vivenciam desde a pandemia. As situações precárias da maioria das pessoas afrodescendentes que estão na linha da pobreza facilitam a contaminação por esse vírus. No Piauí, já somos mais de 80% de afrodescendentes (pardos e pretos) e 14,2% da população está abaixo da linha da pobreza (CIDADE VERDE, 2019; 2019). Nesse contexto, o que parece é que a cultura da ferida colonial brasileira não nos deixa sossegados e também nós, mulheres afrodescendentes, vivemos em uma permanente fronteira entre os riscos da semiose colonial-escravista, popularizada como modernidade global, e os cuidados atinentes aos cotidianos locais. As formas de colonialidade (epistemologias, subjetividades nascidas a partir do mundo colonial/moderno/escravista) nos colocaram questões que se encontram além de uma solução mágica e eficaz na contemporaneidade. Ao mesmo tempo em que não podemos fechar os olhos para as injustiças envolvendo diferentes atores sociais do capital não-socializado ou das margens, é preciso ter uma consciência que mobilize redes de pertencimentos e cuidados entre nós. 

1.3 O Projeto de Extensão “A Formação Docente em Arte: narrativas sobre gênero, educação e afrodescendência”, com as seguintes ações:

1.3.1 Curso: Oralimagens como produção de sentidos e conhecimentos na formação docente; (2025-2027)

1.3.2 Evento: III CONGEAfrinho: Oficinas com alunos sobre gênero, educação e afrodescendência 

1.3.3 Produção de E-Book: Oralimagens na Formação Docente Em Arte: Narrativas Sobre Gênero, Educação e Afrodescendência 

    O Projeto de Extensão “A Formação Docente em Arte: narrativas sobre gênero, educação e afrodescendência”; objetiva Produzir discussões e conhecimento a respeito de narrativas orais e imagéticas conectadas com narrativas escritas sobre gênero, educação e afrodescendência voltadas para a prática do ensino e da formação docente em Arte, bem como com conexões com a história e outras formas de conhecimento, que nos provoquem a repensar a sociedade racista, misógina, reprodutivista e excludente que, muitas vezes, nos tornamos na contemporaneidade, para colaborarmos no enfrentamento das diversas violências e preconceitos que atrapalham a nossa vida acadêmica ou escolar. Este é uma iniciativa que parte dos 15 anos de pesquisas e ensino em sala de aula e no Núcleo de Estudos e Pesquisas Roda Griô/GEAfro da UFPI. Também será uma oportunidade de conhecermos, aprimorarmos e publicar o método e a metodologia das Oralimagens (Silva, 2024), que nasceu das pesquisas de doutorado e mestrado em educação realizadas entre 2009 e 2017. O Projeto irá acontecer nas dependências da UFPI no Centro de Ciências da Educação, mas com algumas reuniões on-line quando não estivermos em condições de adentrar a universidade, com relação a imprevistos. Também teremos algumas experiências com alunos do Ensino Básico, Fundamental e Médio da cidade de Teresina (PI). Haverá prioridade para participação de alunos pibidianos. Mas, estará aberto a outras participações e contribuições que nos ajudem a repensar um ensino e uma realidade mais saudável socioculturalmente no mundo da arte e da cultura. 

1.4 O Projeto de Extensão: “A Pesquisa em Arte: narrativas sobre gênero, educação e afrodescendência”, com as seguintes ações:

1.4.1 Curso: “Roda Griô - Estudos sobre arte, educação, gênero e afrodescendência” – 2025-2027.

1.4.2 Evento: “XVI Seminário do Dia 13 de Maio - A abolição inacabada e a pesquisa em arte” 2025.

1.4.3 Exposição on-line: Arte como Narrativa e Cuidado

1.4.4 Podcast online: Arte como Narrativa e Cuidado

1.4.5 E-book: sobre Podcast e Exposição Arte como Narrativa e Cuidado.

    O Projeto “A Pesquisa em Arte: narrativas sobre gênero, educação e afrodescendência”; tem como objetivo: Produzir discussões e conhecimento a respeito de narrativas orais e imagéticas conectadas com narrativas escritas sobre gênero, educação e afrodescendência, voltadas para a pesquisa da arte como conhecimento que pode repensar a sociedade racista, misógina, reprodutivista, ou seja, excludente que, muitas vezes, nos tornamos na contemporaneidade, para colaborarmos no enfrentamento das diversas violências e preconceitos que atrapalham a nossa vida acadêmica ou escolar. Estas práticas excludentes podem colaborar com ansiedades, depressões, adoecimentos diversos – presentes hoje na nossa sociedade. Este é uma iniciativa que parte dos 15 anos de pesquisas e ensino em sala de aula e na coordenação do Núcleo de Estudos e Pesquisas Roda Griô/GEAfro da UFPI. Também será uma oportunidade de conhecermos, aprimorarmos e publicar o método e a metodologia das Oralimagens (Silva, 2024), que nasceu das pesquisas de doutorado e mestrado em educação realizadas entre 2009 e 2017. O Projeto irá acontecer nas dependências da UFPI no Centro de Ciências da Educação, mas com algumas reuniões on-line quando não estivermos em condições de adentrar a universidade, com relação a imprevistos. Teremos as seguintes ações: Curso de Extensão Roda Griô - Estudos sobre arte, educação, gênero e afrodescendência – 2025; Evento de Extensão: XVI Seminário do Dia 13 de Maio: A abolição inacabada e a pesquisa em arte; Outras Atividades: Exposição on-line: Arte como Narrativa e Cuidado, Podcast online: Arte como Narrativa e Cuidado e E-book: Podcast e Exposição Arte como Narrativa e Cuidado.

Com estas ações de extensão queremos dar continuidade ao trabalho iniciado em 2010 do nosso núcleo. Estamos em um momento crucial da humanidade, muitas doenças mentais, emocionais e sociais estão nos rondando e levam muitos de nossos entes queridos na família. Temos que continuar esperançando. E, para isso, é preciso uma nova educação – uma que nos faça refletir sobre quem somos, quais nossas narrativas, quais nossos cuidados. 

Por isso, 

Vem para a Roda vem!

Te esperamos. 

Abraços querides griôs.

Profa. Dra. Francilene Brito da Silva. 

Teresina, 18 de agosto de 2025. 



sábado, 8 de março de 2025


As mensagens. E as mulheres do mundo real-atual?

 

Francilene Brito da Silva – Martina Mendizabal,

Mamadú Saido Djaló e

Elenita Maria Dias de Sousa Aguiar 



Créditos da imagem: Anônimo [Tipos Africanos] 2. S/l. S/d. Desenhos a crayon, pastel e grafite. Dim.: 56 x 45,5 cm. Imagem no livro: Registros Escravos: repertórios das fontes oitocentistas pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional. Organizadoras: Lilia Moritz Schwarcz com Lúcia Garcia. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2006. p.127.


Desde cedo, hoje – dia 08 de março de 2025 – recebo mensagens sobre o Dia Internacional das Mulheres. Em muitas destas mensagens, o mundo gira em torno de uma mulher tipificada como: frágil e forte, delicada e guerreira, suave e árida, sensível e resistente, instável e equilibrada, complexa e simples, ingênua e sagaz, insatisfeita e conformada, vaidosa e trabalhadora, dramática e acolhedora, medrosa e corajosa etc. e ainda há aquelas mensagens que acentuam a contribuição da mulher em algumas realidades e desenvolvimentos sociais. Que bom que aprendemos tantos adjetivos e reconhecimentos. Mas, é sempre bom lembrar que, todos estes são adjetivos para homens e pessoas não binárias, também. Portanto, não são típicos das mulheres somente. Então, o que dizer sobre “mulher” na contemporaneidade?   

Hoje, diria que, na contemporaneidade, poderíamos nos perguntar: De qual mulher estamos falando? Ou melhor, de qual produção ou construção sobre mulher estamos nos referindo? E quem cabe dentro de cada construção? Além disso, podemos criar asas a partir destas construções? Esta “mulher” celebrada, pode amadurecer e autoconhecer-se? Criar asas? Voar?

Basicamente, o que percebo é uma força motora social que nos quer parabenizar e dar forças, mas que nos coloca num lugar vazio e nos tira o chão, mais uma vez, para nos manter com as amarras da imaturidade. Se escutarmos histórias de mulheres de nossas famílias iremos entender o que estou tentado explicar, enquanto mulher afrodescendente, filha, neta, bisneta de afroindígenas, rezadeira, periferizada, professora do Ensino Superior, pesquisadora e artesã da vida, que não tem filhos e nem é casada, cuidadora de um pai idoso portador de Alzheimer, que não dorme direito pela noite, etc. e tal. Neste lugar da escuta, vamos aterrissando e procurando o nosso chão para podermos alçar voos. Começamos a entender o que de fato estamos sendo e porquê, valorizando-nos e procurando celebrar e sonhar mais. Procuramos também entender que, se parte significativa da nossa história nos condiciona e violenta, podemos procurar saídas junto a outras pessoas e coletivos que nos acolhem e fortalecem. Mesmo achando que não temos saídas. 

Buscar ajuda diante das nossas fragilidades e celebrar as nossas conquistas nem sempre foi fácil para algumas mulheres reais. Aprendemos nas entrelinhas das atribuições a nós dadas que somos uma fortaleza, especialmente se não estivermos o selo da branquitude, por isso não precisamos de ninguém. E, assim, por exemplo, estamos casadas e com filhos assumindo tudo por todos; ou ao conquistar diploma de Doutorado, não celebramos esta vitória. Aprendemos que todas as pequenas ou grandes conquistas que temos no trabalho, em casa, nas relações amorosas, e outras, não fizemos mais do que o necessário e o que deveríamos fazer. A cultura da escravização e da misoginia está no nosso DNA para algumas mulheres reais. Nesse sentindo, somos o algoz de nós mesmas. Mesmo sabendo que a cultura do masculino generificado, branco racializado e da heteronormatividade nos encurrala, preferimos não sair do (in)cômodo sofrimento e escolhemos lamentar ou açoitar outras irmãs, às vezes.  

Não, não há uma mulher culpada. Não estou me referindo a quem tem culpa ou não. Assim, como não estou dizendo que as mensagens sobre o Dia Internacional das Mulheres não são bem-vindas. Estou querendo ir um pouco mais para o fundo do poço (onde considero um lugar de tecer a maturidade e do autoconhecimento). Estou dizendo, que quando encontramos mulheres que buscam amadurecer e sair do lugar costumeiro de vítima ou algoz, de desvalorização das nossas vitórias ou daquela que aguenta tudo, somos observadas com bastante desconfiança, inclusive por nós mesmas, desacreditando-nos. 

Mas, a mulher real que me tornei, e que está em constante transformação, tem me ensinado que precisa criar asas, e estas não se ganha se culpabilizando ou culpabilizando as outras pessoas, não curtindo minhas/suas ações vitoriosas ou acentuando minhas/suas derrotas. 

As transformações sempre causarão desconfortos, e a cultura colonialista-escravista-capitalista, na qual estou inserida, sempre nos fará procurar culpados ao invés de nos fazer enxergar o que fazer. 

Entendo que buscar conhecer e compreender a(s) mulher(es) real(ais) nos faz começar a querer ver transformada também a sociedade em que vivemos, porque esta sociedade nos retira o chão quando nos promete o céu comemorativo de um dia da mulher. Mas, é a mesma sociedade que, quando eu, como uma mulher singular, alcanço céus de maturidades, irá me jogar em um chão dos “restantes” 364 dias do ano. E, nós, enquanto “mulheres” também somos esta sociedade. 

Por isso, se você se considera um alguém que também colabora para ou é uma “mulher real”, te convido a comemorar-se durante 365,25 dias do ano, celebrar em datas especiais suas conquistas, encontrar-se consigo mesma no fundo do poço de suas memórias e deixar nascer asas de transformações. Mesmo que o direito ao voto pelas mulheres exigido em 1914, na Alemanha, tenha sido um marco para este dia 08, te convido a ir além. Te convido a buscar dar um voto de confiança no ser humano singular que és e quebrar votos de adjetivos embalados pela industrial da generificação social atual. E, criar seus próprios adjetivos. 

Numa digressão, mas ainda por dentro do tema, Mamadú Saido Djaló pergunta: Afinal, de quais mulheres se está falando nesta data comemorativa de 08/03?

A oficialização dessa data em 1975 pela ONU mostra claramente como tudo o que vem do Ocidente é universalizado (forçado) para que o mundo inteiro comemore. 

Quando o Ocidente concebeu e forçosamente universalizou essa data, a nossa humanidade, enquanto Afrikanus e seres humanos, estava sendo violentada pela ocupação colonial ocidental no velho continente.

Havia milhões de mulheres afrikanas sendo assassinadas, estupradas e sistematicamente exterminadas enquanto pessoas escravizadas. Mas aí ninguém quer falar sobre…

Sem encontrar culpados, mas querendo criar asas, é bom também lembrarmos o porquê de celebrarmos este dia. Que comemoração é esta que as mensagens comerciais não falam mais e como o “resto” do mundo encara isso? Deixo esta investigação para aquelas/es que chegaram ao final deste texto. 

Porque agora, Elenita Dias poetizou 


MULHER, VOCÊ É DEMAIS!

Mulher és um SER de suprema beleza, 

seja interna, externa, bem como de outras nuances...

Você é existência e se torna resistência, deixa marcas – Quantas marcas?

Nossa, são quantas e tantas, não dá para especificar! Cada uma de nós deixa marcas...

sociais, educacionais, pessoais, de vida, MARCAS que IMPORTAM, a NÓS, por NÓS, e aos outros seres humanos, perpassam sensibilidades e transformações.

Inspiração é parte de ti, do teu SER MULHER, sendo você...

Entre os que defendem e lutam por igualdade, estás, empodera-se e vais “lutar pelo que acredita...”. 

Dás importância significativa às lutas e pelas lutas! Conquistas mudanças, fortalecendo, incluindo, vendo, vivendo e sendo o que és!

Tua sabedoria, seja do senso comum, ou de outra natureza, é diversificada, se chama CORAGEM!

A justiça ainda falha nos tratamentos desiguais, mas a vida segue, os diálogos se entrecruzam, não deixemos de buscar, de valorizar-nos diante de... 

Os desafios fazem parte da caminhada chamada VIDA! Desafie-se, lute, vá adiante, tenha voz ativa, acredite, VOCÊ PODE!


Fortalecimento! Fortalecimento! 



Com carinho e tentativas de amadurecimentos,

Francilene Brito da Silva – Martina Mendizabal, 

Mamadú Saido Djaló e 

Elenita Maria Dias de Sousa Aguiar

 

Teresina, 08 de março de 2025.  


quarta-feira, 15 de março de 2023

Registro fotográfico do V CONGEAfro (2018). Fonte: Arquivos Roda Griô, 2023.

Reprodução do Roteiro-Guia do encontro do Núcleo de Estudos e Pesquisas Roda Griô-GEAfro: Gênero, Educação e Afrodescendência - RODA DO DIA 20 de janeiro de 2017


AFRODESCENDÊNCIA: a narrativa que fortalece OUTRAS VERDADES. 

 Francis Musa BOAKARI  &  Francilene Brito da SILVA 

O que quer dizer é uma coisa;

As palavras usadas podem dizer muito mais (Provérbio – Mendes, S.Leoa)


Do que se trata?

É uma tentativa de definir (explicar-problematizar-contextualizar) o que são a AFRODESCENDÊNCIA e outros termos relacionados a fim de construir novas aprendizagens e posturas em relação ao discurso (e do fazer!) das/os AFRICANAS/OS, nossas/os ASCENDENTES, DESCENDENTES, nossas HISTÓRIAS e REALIDADES ontem - contemporâneas. Problematizar os nossos REFERÊCIAIS é criticar IDENTIDADES atribuídas (e forçadamente “co-construídas por não protestar/renegar/substituir/descartar...”), reconhecer as nossas CONQUISTAS, afirmar as nossas POTENCIALIDADES e contextualizar as POSSIBILIDADES. 

Dizer o seu nome, “a sua graça”, é assumir as suas HISTORICIDADE e SUBJETIVIDADE como parte de uma COLETIVIDADE que está e está SENDO. É problematizar a própria EXISTÊNCIA. Assumir a vocação ONTOLÓGICA. 


“E por isso, as lutas pelas palavras, pelo significado e pelo controle das palavras, pela imposição de certas palavras e pelo silenciamento ou desativação de outras, ou lutas em que se joga mais que simplemente palavras, algo mais que somente palavras” (LARROSA, 2007, p. 153)


Quem são afrodescendentes? 

01. Pessoas nascidas no continente africano 

02. Pessoas nascidas nos diversos países africanos – pessoas nascidas, mas cidadãs de outros países hoje – Níveis de afrodescendência ou tipos diferentes de afrodescendência? 

03. Afrodescendentes das diásporas   - pelo menos 3 tipos até hoje 

04. Pessoas cujas/os antepassadas/os tinham relações genéticas com a África 

05. Afrodescendência fenotípica e/ou Afrodescendência genotípica e/ou Ideológica? 


Principais aspectos a ser considerados: 

Assumir a afrodescendência é provocar um REPENSAR CONTINUADO de respeito às/aos africanas/os, ao continente africano e às/aos filhas/os das DIÁSPORAS:

01. Dimensões históricas – narrativas do passado – presente – futuro ... outros termos não têm

02. Considerações sociológicas

03. Perspectivas econômicas 

04. Características políticas 

05. Fatores culturais 

O que têm as outras identificações raciais? 

i. Negatividade 

ii. Hetero-atribuída – “objetos nomeados” – nomear é explicitar posse/controle

iii. Histórias e memórias de sofrimento e desumanizações 

iv. “Coisas ruins de que precisa escapar” – categorias entre “preto-branco” – censo 1970

v. Estáticas – não acompanham as transformações positivas  

vi. Pessoas não vistas como gente, mas como problemas .

Algumas vantagens da categoria AFRODESCENDENTE...:

Ao usar a categora afrodescendente como fator identitário dos povos africanos (de todos os tempos e lugares – tempos/espaços – continente-diáspora?), estamos dizendo que: 

a. O mundo é complexo e precisa ser abordado desta maneira, com categorias que tentam capturar a DINAMICIDADE das realidades, dos povos, das comunidades e dos indivíduos; 

b. Cada grupo de seres humanos está enraizado em realidades diversas e esta diversidade precisa ser reconhecida/valorizada através do retorno às suas RAÍZES;   

c. Todos os povos trazem à mesa dos encontros, uma bagagem cultural cuja riqueza será melhor aproveitada quando e se tiver DIÁLOGOS; 

d. Com a afrodescendência, há espaço para discutir/aprender/trabalhar o UBUNTU como princípio de vida em comunidade; e 

e. Na recusa de respeitar as teses “a”, “b”,  “c” e “d” acima, se pratica não somente os genocídio e etnocídio, mas, acima de tudo, o EPISTEMICÍDIO …  Quando mata o valor do pensar da/o outra/o, ela/e morre uma morte morrida! 

Considerações e articulações com as pesquisas [e outros PROJETOS na vida]

Área de pesquisa: Educação e afrodescendência – sucesso da mulher brasileira afrodescendente. 

- Sucesso educacional como uma pedagogia de auto-valorização;

- Mulher afrodescendente, a mais discriminada, mostrando o seu verdadeiro poder de superar dificuldades e servir de exemplo positivo – da mais excluída à mais integrada – “as poderosas” - afrodescendência como marca de superação, criatividade, … 


Informações de fontes para PESQUISA articulada: 

ADICHIE, Chimamanda. Chimamanda Adichie – Os perigos de uma história única. LEGENDADO. Vídeo publicado em 19 de mai. 2012. Categoria: Educação. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ZUtLR1ZWtEY&spfreload=10>. Acesso em: 15 jul. 2015.

CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o Colonialismo. Tradução de Noémia de Sousa. Lisboa: Sá da Costa Editora, 1978. Disponível em: < https://escrevivencia.files.wordpress.com/2014/03/aimc3a9-cc3a9saire-discurso-sobre-o-colonialismo.pdf>.  Acesso em: 16 ago. 2015.

COELHO, Raimunda Ferreira Gomes & BOAKARI, Francis Musa. Por que afrodescendente? E não negro, pardo ou preto? In: I CONGRESSO SOBRE GÊNERO, EDUCAÇÃO E AFRODESCENDÊNCIA: CONQUISTAS, EXPERIÊNCIAS E DESAFIOS, 2013, Teresina. Anais do I CONGEAfro. Teresina: EDUFPI, 2013. CD-ROM.

CUNHA JUNIOR, Henrique. Me chamaram de macaco e nunca mais fui à escola. In: GOMES, Ana Beatriz Sousa; CUNHA JÚNIOR, Henrique. (Orgs.). Educação e afrodescendência no Brasil. Fortaleza: Edições UFC, 2008, p. 229-240. 

CUNHA JUNIOR, Henrique. Nós, afro-descendentes: história africana e afro-descendente na cultura brasileira. In: ROMÃO, Jeruse. (Orga.). História da Educação do Negro e outras histórias. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,

2005. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001432/143242por.pdf>. Acesso em: 12 ago. 2015.

CUNHA JUNIOR, Henrique. Tecnologia Africana na Formação Brasileira. Rio de Janeiro: CEAP, 2010. Disponível em: < http://www.ifrj.edu.br/webfm_send/268>. Acesso em: 12 ago. 2015.

DECLARAÇÃO e Programa de Ação adotados na III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata. http://www.inesc.org.br/biblioteca/legislacao/Declaracao_Durban.pdf/view

FANON, Frantz. Pele Negra, Máscaras Brancas. Tradução de: Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008. Disponível em: <http://kilombagem.org/wordpress/wp-content/uploads/2015/07/Pele_negra_mascaras_brancas-Frantz-Fanon.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2015.

HALL, Stuart. Da diáspora : Identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília: Representação da UNESCO no Brasil, 2003.

HALL, Stuart. A Identidade Cultural da Pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 1997.

KAMEL, Ali. Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformer numa nação bicolor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. 

MIGNOLO, Walter. Descobediencia Epistémica: retórica de la modernidad, lógica de la colonialidad, gramática de la descolonialidad. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 2010.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do Poder, Eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo. (Org.). A Colonialidade do Saber: eurocentrismo e ciências sociais – perspectivas latino-americanas. CLACSO: Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina. Set. 2005. (Colección Sur Sur). Disponível em: <http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/>. Acesso em: 30 nov. 2014.

RISÉRIO, Antonio. Por um olhar brasileiro. In: RISÉRIO, Antonio. A utopia brasileira e os movimentos negros. São Paulo: Editora 34, 2012, p. 17-37. 

ROCHA, José Geraldo da. De Preto à Afrodescendente: implicações terminológicas. Cadernos do CNLF, Vol. XIV, Nº. 2, T. 1. Disponível em: <http://www.filologia.org.br/xiv_cnlf/tomo_1/899-907.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2015.

SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010. 

UNESCO – DÉCADA INTERNACIONAL DOS AFRODESCENDENTES – 2015-2024.    Tema: “Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”. http://www.unesco.org 


sábado, 4 de fevereiro de 2023

IX Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência: Narrativas e diásporas para aprender a ser-existir hoje  

Aconteceu de 09 a 11 de novembro de 2022


Queremos lembrar aqui no blog o texto que trouxemos no site do IX CONGEAfro do ano de 2022:

Reflexões 

“Salvar” (salavá, saravá), “salve!” ou “viva!”, vem de povos africanos de língua de tronco linguístico bantu. Suaíle, lingala, luganda, quicongo, quimbundo, umbundo, chócue, nianja, xona, ndebele, tsuana, sesoto, zulu, xhosa, ovambo, sepedi, suazi, são todas línguas bantas. Esse tronco está incluído em um grupo linguístico maior chamado benue-congolês, da família linguística nígero-congolesa, que conta com mais de seiscentas línguas. Como então acreditar que qualquer povo, chamado de africano, tenha uma cultura monolítica e fixa ou uma história única? Especialmente, como acreditar que não há vozes que saúdam, salvam, vivam suas histórias? Histórias estas que também não são binárias, assim como não são as vozes de afrodescendentes e indígenadescendentes. (Francis Musa Boakari e Francilene Brito da Silva, In: Afrodescendentes em Narrativas Cotidianas,  2021, p. 365-366).

Aproveitamos os nossos saberes produzidos em Roda para refletir sobre estas palavras e enfatizar aprendizados com o “recordar” como salvar narrativas. Entre nós, devemos estes créditos às pessoas historicamente esquecidas, pois, aprendemos a referenciar somente aqueles autores que já têm “respaldos” na academia. Falando em narrativas e diásporas nossas, afrodescendentes e indigenodescendentes, o IX CONGEAfro (2022) será um congresso internacional híbrido (agora totalmente on-line) com solicitação e diálogo, especialmente, entre Brasil/Moçambique (Universidade Rovuma, UniRovuma, em Nampula e Universidade de Pungue, em Chimoio – Moçambique), bem como, multi-universitários (UESPI, UFMA, UERJ, UEMASUL) e multi-campi (UFPI, Teresina & Floriano), envolvendo pessoas interessadas na temática do evento. Queremos aprender a nos valorizar. Com isso, nos cuidamos e protagonizamos cuidados, como arte de fazer kindezi.  

Kindezi é uma arte focada não apenas no cuidado dos jovens da sociedade, mas no crescimento do Ndezi (o cuidador, aquele que pratica a arte da Kindezi). Em outras palavras, ao passo que uma pessoa desenvolve as habilidades da Kindezi, desenvolve-se a si mesmo. Ndezi deve ajudar o muntu, o “sol vivo” a “brilhar” (6); e, no processo, ele/ela aprende como “brilhar” com o poder do “sol vivo”. (ANI, 2017, s/p.).

Entre “narrativas e diásporas para aprender a ser-existir hoje” é o sub-tema do IX CONGEAfro, o qual nos convida a continuarmos em roda viva e expandir nossos sóis, nossos modos e usos de aprender-ensinar em meio às dispersões históricas, inclusive pela arte. Estas são movimentos ou instabilidades, as quais nos desafiam a (re)agirmos por meio de nossas múltiplas narrativas.

Deste modo, o Núcleo de Estudos e Pesquisas RODA GRIÔ/GEAfro: gênero, educação e afrodescendência tem sido um espaço-tempo de pessoas sábias e interessadas em coparticipar de diferentes Rodas (encontros, workshops, podcasts, minicursos e outras atividades colaborativas) a fim de contar as suas histórias, compartilhando vivências próprias e/ou estas através das contribuições de outras pessoas com interesses semelhantes, focando nas questões das mulheres, em particular as de descendência africana, as educações e as afrodescendências, nas suas ricas maneiras de ser-viver. Apresentar ideias de recordar memórias e narrar é, também, nosso modo de dizer que a RODA está mais uma vez abrindo as suas portas para participações-contribuições diversas. Porque, parafraseando o povo mende de Serra Leoa, quando pessoas interessadas numa questão se juntam em torno desta mesma, outras “coisas pequenas-grandes se desenvolvem”. Com ponderações assim, apresentamos as pretensões deste IX CONGEAfro.

O objetivo desse encontro em roda é recordar, como um ato e gesto de ação cotidiana que nos salva da complacência de tempos históricos em que pagamos com as nossas vidas a barbárie da negação dos nossos corpos-saberes. Assim, este congresso, em sua nona edição tenta para nos dizer que recordar é preciso, como ato e gesto de (re)existência, porque historicamente (re)agimos diante de todas as formas de discriminações. Nos convoca também a cuidar de nós, como as práticas humanas (humanidade e humanização) que, para alguns povos africanos e afrodescendentes, se chamam kindezi e saravá. Estas nos ajudam a entender que não naufragamos porque a memória nos traz à lembrança o que somos de fato: vidas e mundos antes das diásporas e cheias/os de narrativas salvas em nossos corpos, pelo cuidado de nós mesmos, sol nas águas diaspóricas desafiantes do existir. Somos um “nós”, não existimos em ubuntu sem esse nós. Pois, eu sou porque nós somos (RAMOSE, 2002).

         Deste modo, aproveitamos algumas vivências sócio-acadêmicas como memórias-narrativas da RODA GRIÔ chamando atenção aos sub-titulos dos CONGEAfros desde 2013:

2013 – I Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência (CONGEAfro):  conquistas, experiências, desafios (dias 06-07-08 de novembro de 2013).

2015 – II Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência (CONGEAfro):  orgulho de ser afrodescendente - lugares e identidades (dias 03-04-05-06 de novembro de 2015).

2016 – III Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência (CONGEAfro):  direito de ser nas relações de poder (dias 09-10-11 de novembro de 2016).

2017 – IV Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência (CONGEAfro):  descolonialidades e cosmovisões (dias 07-08-09 de novembro de 2017).

2018 – V Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência (CONGEAfro):  justiças social e epistêmica na Década dos Povos Afrodescendentes (dias 05-06-07-08-09 de novembro de 2018).

2019 – VI Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência (CONGEAfro):  políticas públicas e diversidade - quem precisa de identidade (dias 06-07-08 de novembro de 2019).

2020 – VII Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência (CONGEAfro):  afrodescendentes em narrativas cotidianas (dias 03-04-05-06 de novembro de 2020, no formato on-line).

2021 - VIII Congresso sobre Gênero, Educação e Afrodescendência (CONGEAfro):  esperançar em crises históricas (dias 03 a 04 de novembro de 2021, no formato on-line). 

E assim, nesta nona edição, onde propomos construir também, das experiências dos últimos dois CONGEAfros que foram inteiramente online, ousamos convidar, usando a modalidade hibrida, para apresentar-discutir-explicar-problematizar a temática do Gênero, Educação e Afrodescendência sob as perspectivas das “narrativas e diásporas para aprender a ser-existir hoje”.  

Objetivo Geral

- Aprender a recordar-salvar nossos modos e usos de ser-existir hoje com as nossas narrativas em diásporas cotidianas, nas pesquisas, nas vivências (convivências) e na vida que tecemos. O conceito de narrativa abarca também aqui as produções artísticas humanas.

Recordar é preciso

O mar vagueia sob os meus pensamentos

A memória bravia lança o leme:

Recordar é preciso.

O movimento vaivém nas águas-lembranças dos meus marejados olhos transbordar-me a vida,

salgando-me o rosto e o gosto.

Sou eternamente náufraga,

Mas os fundos oceanos não me amedontram

E nem me imobilizam.

Uma paixão profunda é a boia que me emerge.

Sei que o mistério subsiste além das águas. Conceição Evaristo (2017, p. 11).

São nove anos de CONGEAfro e com Conceição Evaristo convidamos para mais uma grande Roda, no período de 09 a 11 de novembro de 2022, dizendo que “Recordar é preciso”. O verbo (ação) recordar aqui pretende apresentar sentidos de movimentos que as nossas narrativas em diásporas promovem em atos e gestos políticos cotidianos, uma busca por uma ética do ser-existir hoje, como o sol que brilha nas águas diaspóricas do imenso oceano da vida. Este congresso justifica-se pela necessidade de encontro consigo mesma e com outras pessoas, para nos enredarmos, num processo de sistematização das nossas curiosidades, em curiosidades epistemológicas (FREIRE, 2011), a partir de nossas narrativas. De insistirmos no exercício de dizer que nossas narrativas importam e, por isso, recordar é preciso. O CONGEAfro é esse espaço-tempo de aprender a vaguear sob nossos pensamentos, tendo o mar e outros elementos demarcadores/de transição como travessia. É esse espaço-tempo de aprender o “movimento vaivém nas águas-lembranças” como em outras ondas de vivências/convivências. É tempo-espaço de aprendermos a marejarmos os olhos, salgando o rosto e tomando o nosso gosto, nos mobilizando. É tempo-espaço de continuarmos emergindo apesar de tudo e de tanto. Eclodindo com tudo que somos e ainda podemos vir a ser-sendo. A pandemia e tantos desafios político-sanitário-cultural-educativo-artístico-sociais têm nos provocado como náufragos, abandonadas/os por políticas com discursos includentes, mas não podemos esquecer, com o CONGEAfro, que para nos emergir temos a consciência de que somos sóis ubuntu em ações kindezi de saravá. Um congresso hibrido (agora totalmente on-line) com as características descritas acima, viabilizará um sonho assim.

Equipe Organizadora do IX CONGEAfro -  nov. 2022.

terça-feira, 1 de março de 2022

AFRODESCENDÊNCIAS – HISTÓRIAS, IDENTIDADES, SUBJETIVIDADES COLETIVAS

 Francis Musa BOAKARI  &  Francilene Brito da SILVA 
 

Dos escombros, dos picos, das planícies, dos rios e lagos, das savanas, dos serrados, das florestas e dos territórios dos afetos e epistêmicos, corpos-saberes afrodescendentes em diásporas emergiram em todos os cantos do mundo (que conhecemos) como “humanidade”, que, depois, foi escrita como “Humanidade” eurocentrada-ocidentalizada. Viramos uma experiência de ordem global/local “cartografada” em livros didáticos e histórico-identitários?

Vozes ancestrais ecoam nestas cartografias de linhas escritas, inscritas em nós mesmas/os. E, nos ensinam que os traços trançados aí desvelam afrodescendências tecidas nas fronteiras entre uma história que quis ser única e universal e muitíssimas histórias que são únicas e plurais, nas permanências e/ou diásporas dos nossos cotidianos. As lâminas que fatiaram territórios e vidas, não puderam fatiar as nossas territorialidades e vivências. Estas ecoam persistentemente e resilientemente a todo momento. Mas, como ecoamos? Como e o que é ser afrodescendente? O que estamos chamando de Afrodescendências – no plural?

Para ecoarmos as mensagens mais relevantes para/da humanidade, precisamos lembrar, sustentando que numa sociedade racista como a brasileira: “preservar a sanidade mental é privilégio” como diria o Ricardo Corrêa (2022, p. 02), enfrentando as atitudes e comportamentos. Contra os valores e atos que desumanizam as pessoas viabilizando uma sociedade de “neuróticos” (FANON, 2008), é imprescindível saber que as imagens negativas e históricas do povo de origem africana precisam ser substituídas (“desconstrução”) “pela reconstrução de novas imagens que o libertem da alienação e da negação de sua humanidade” (CORRÊA, 2022, p. 4).  Parece que Fanon (2008, p. 26) aponta para o eco mais central e mais ausente – “O problema é muito importante. Pretendemos, nada mais nada menos, liberar o homem de cor de si próprio. Avançaremos lentamente, pois existem dois campos: o branco e o negro”. Sim, para fazer o mundo lhe escutar, tem que se ouvir primeiro.    

Das possibilidades atualmente imagináveis, podemos dizer que ser afrodescendente é possuir linhagem genética de origem fenotipicamente africana (especialmente dos povos sulsaarianos no continente africano) de diversos períodos históricos. Assim, há afrodescendentes do continente, como também, há das diásporas. Da mesma forma, há afrodescendentes não fenotípicos, mas são as pessoas que reconhecem as suas origens, mais longínquas como seres humanos, afrodescendentes porque ativamente conscientes de fazerem parte da humanidade. Ser AFRODESCENDENTE é ato político. Ser afrodescendente é aceitar a sua HUMANIDADE. Ser afrodescendente é reconhecer a validade de uma HISTÓRIA e as suas teias de histórias individuais e das de pequenos grupos socioculturais. 

Deste modo, Afrodescendências seriam referências aos dinâmicos modos enriquecedores de se pensar – se conceber – se reconhecer – se aceitar – se afirmar – se expor – se defender – se apresentar – ser/sendo Afrodescendente individual e coletivamente. Afrodescendências são reconhecimentos das humanidades de outros povos também. Com as descendências como base das histórias nacionais-locais, as inclusões sociais seriam facilitadas. Narrativas como outras explicações-justificativas como o que segue, ficarão mais frequentes e menos hostilizadas.   

A colonialidade, precedida pelos colonialismos europeus como projeto moderno/global/capitalista/epistemicida (mas, não de toda a Europa) negou outras formas de civilidades complexas (sociedades outras, inclusive na própria Europa) e trouxe suas invenções apelidos desumanizadores como “negros”, “índios”, “amarelos”, “mestiços”, “pretos”, “africanos”, “asiáticos”, “indianos” para demarcar geopoliticamente povos ditos “não-brancos”, que se situavam nos lugares que foram inventados também como África, Ásia, América, Caribe e outras terras inventadas como não-europeias (?). Mas, parece que era preciso enfatizar que não tínhamos história-descendência, para que estes apelidos funcionassem político-social-culturalmente. E para que a influência econômica (sedução capitalista), o poder colonial (aspectos bélicos da colonização), bem como, a colonialidade de poder (aspecto cultural e epistêmico da colonização) se concentrassem nas mãos daqueles que teciam estes mapas estruturantes (religiões, estéticas, políticas, práticas de gestão – economias, sociedades). Assim, nos parece que outros termos foram sendo criados dentro das nossas identidades cotidianas para escaparmos das exclusões, que esta experiência global-local nos obrigou a enfrentar-sobreviver. Submergidos nessa cartografia de subalternização, aprendemos a solapar esta estrutura racista (machista, sexista, homofóbica e outros instrumentos excludentes semelhantes) e a nos manter vives. Como fizemos isso? Só saberemos responder se ouvirmos as nossas próprias histórias, as histórias das nossas-nossos. Mas, como ouvir o que muitos calam? Como ouvir o que fala por outros discursos e não por uma história eurocentrada?

Com as resistências políticas, sociais, econômicas e culturais, estamos conseguindo continuar a caminhada, porque os nossos passos veem de longe, e sabemos que devemos-podemos continuar caminhando em trilhas diversas e com passos individuais-coletivos possíveis/sendo construídos.

Muitas-os-es de nós continuam calando como modo, tática de enfrentamento das discriminações e autodisciplina, para não despejar toda raiva-frustração histórico-cotidiana das nossas realidades em quem não merece. Controle e disciplina pela vocação humanitária (ontologia humana) visando humanização dinâmica do mundo-planeta – existências planetárias!    

Sem mostrar as riquezas da sua família, seria a pobreza que lhe definirá, dizia a minha avó em Serra Leoa (Francis Musa Boakari). Assumir que, no que temos existem valores intrínsecos, seria uma prática a ser aprendida-assimilada-operacionalizada nos nossos cotidianos. Tentativas permanentes e pequenas vitórias autodefinidas são mais importantes que conquistas grandiosas. 

Desde os primeiros contatos com a Europa, existem outros discursos antes dos europeus. São estes, os discursos nossos que precisam ser reconhecidas-valorizadas-proclamadas, acima de tudo, por nós mesmas-os-es. Sem assumir o que é nosso, o que é dos outros, persistentemente, teria mais espaço-atenção-respeito-valor-cobiça.

De novo, como boas estudantes das culturas humanas, que continuamente aprendemos a ser, é melhor repetir questões que julgar.

Voltamos as duas primeiras questões e outras, também, muito relevantes nestas ponderações identitárias: Como e o que é ser afrodescendente? O que estamos chamando de Afrodescendências – no plural? Para você leitora/r, estas questões são importantes? Com qual frequência pensa em questionamentos assim? Você já conversou com alguém sobre questões deste tipo? Por quê? 

Passeando pela Revista Capitolina (FREITAS, 2016), encontramos o seguinte trecho: 

Na época em que morei fora do país era comum ouvir os meus amigos e conhecidos falarem com informações bastante detalhadas sobre seus ancestrais. “Meu avô paterno é filho de um austríaco com uma italiana. Ele veio pra América e conheceu a minha avó, que é filha de um russo com uma francesa”, e eu achava essas histórias incríveis. Eu ouvia aquilo tudo muito atenta, impressionada com essas ligações que reportavam às mais antigas gerações. Mas quando chegava a minha vez de falar sobre os meus ancestrais, a única coisa que eu sabia dizer é: “Os meus antepassados vieram da África”. E nada mais.

Neste, podemos perceber o que essa história eurocentrada provocou em nós. Um sentimento de não pertencimento? Talvez seja importante ouvir outra historinha. Vamos lá?

No dia 22 de fevereiro de 2022, fomos visitar o Museu do Piauí/ Casa Odilon Nunes (MUP), lá encontramos algumas salas de exposições, nas quais estavam “inscritas” narrativas históricas que nos fizeram refletir bastante. Em várias destas salas, havia mobiliário de madeira, artesanato piauiense, entre outras peças de relevância para nossa história, que foram trabalhadas por artesãos e artesãs afrodescendentes e indígenas destas regiões nossas. Mas, chamou-nos atenção, o fato de apenas em uma sala, a sala “Cultura Afro”, ser mencionada como uma narrativa afrodescendente. (Diário de pesquisa dos autores do texto, dia 22.02.2022, Teresina-PI). 

Esse passeio nos ensinou que temos histórias afrodescendentes (e indígenas) gritando por todos os lados, mas não estamos conseguindo narrar. Talvez porque ainda acreditamos que não temos história. Deste modo, será impossível ouvir os gritos que nos ensinam como e o que somos. Talvez, aprendemos a não questionar os apelidos que nos subalternizam, pois, estes não nos dão o trabalho de ouvir os gritos que ecoam por toda a cartografia de lembranças da nossa família, sociedade. Talvez a história da nossa família não recupere uma narrativa parecida com as narrativas de descendência eurocentradas, mas, certamente, nos ensinarão que somos afrodescendentes. E, no plural. Porque temos muitas histórias.  Não somos um ramo seco nesta floresta. Além disso, mesmo que não consigamos ver as raízes de uma árvore, não quer dizer que esta não as tenha.

Ao procurar um conjunto de raízes, porque sabemos de suas existências que precisam ser evidenciadas, há outras que a gente nem precisa procurar. Tanto se evidenciam que parecem tocar nos olhos, batem nos ouvidos, e até tiram o ar dos nossos pulmões.  Falar das histórias afrodescendentes (e indígenas) numa narrativa de um museu contemporâneo numa capital nordestina brasileira, dizem tudo sobre outra descendência cuja presença é tão ofuscante, tão atual-histórica, que nem precisa ser nomeada. A sua ‘presença soberana’ está no silenciamento sobre ela e a sua ‘invisibilidade’, constitui o ar respirado. Com a presença ubíqua, não precisa mais nada.

As Afrodescendências combatem o encaixotamento das nossas identidades com nomenclaturas castradoras das nossas histórias e agências históricas. Como nomenclaturas heteroatribuídas, facilmente legitimam os colonialismos de todos os tempos e permitem as colonialidades com seus efeitos epistemicídas. As Afrodescendências como construções auto-atribuídas e auto-descritivas, viabilizam desenvolvimento e adaptações continuadas de nomenclaturas outras. Elas apontam para e incentivam reconhecimento de identidades emergentes, deixando explícita a complexidade destas nas suas diversidades. Identidades estas comprovando que no final das contas, o ser humano sendo um ser em construção permanente, precisa de descritores com características inclusivas, incentivando abertura para estudar-analisar-entender e trabalhar com outras pessoas em sociedades que não enterram suas cabeças na areia, para não trabalhar políticas públicas que tentam diversificar nas diversidades.    

As Afrodescendências são dedos nas feridas das colonizações – pás nas mãos de arqueologias outras – modos de pensar em mentes objetivamente persistentes – e bocas emitindo palavras que humanizam todas-es-os. SEMPRE! E, por que são “dedos na ferida colonial”? Porque suscitam que contemos as nossas histórias (diferentes e tão iguais em suas complexidades). Porque descender é ter histórias para contar e não se fixar em uma história única mal contada.

REFERÊNCIAS:

CORRÊA, Ricardo. Ser negro é estar em estado de permanente dor. Instituto Humanitas Unisinos, ADITAL. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/615628-ser-negro-e-estar-em-estado-permanente-de-dor. Acesso em: 10 fev. 2022.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

FREITAS, Júlia. De Onde Viemos: a história dos afrodescendentes no brasil. Ano: 2, 24º. Ed., 8 mar. 2021. Disponível em: http://www.revistacapitolina.com.br/de-onde-viemos-a-historia-dos-afrodescendentes-no-brasil/. Acesso em: 27 fev. 2022.


Mapa da diáspora africana do início do século XVII até 1873. Fonte: A Cor da Cultura. Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Figura-3-Mapa-da-diaspora-africana-do-inicio-do-seculo-XVII-ate-1873-Fonte-A-Cor-da_fig3_317256274. Acesso em: 18 fev. 2022. 

 BOAKARI, Francis Musa e SILVA, Francilene Brito da. Afrodescendências – histórias, identidades, subjetividades coletivas. Texto didático para a Roda de Conversa do Núcleo de Estudos e Pesquisas RODA GRIÔ-GEAfro: Gênero, Educação e Afrodescendência Dia 04 de março de 2022. Teresina, PI: [RODA GRIÔ], 2022. Disponível em: http://rodagrioufpi.blogspot.com/.

domingo, 17 de outubro de 2021

 

https://viiicongeafro.wixsite.com/2021 - Cartaz: FBS, 2021.




TABONO

Remo.

Símbolo de força, confiança e persistência.

(NASCIMENTO & GÁ, 2009, p.144-145).

Cara(o) Griô,           

É com o desejo do encontro e da partilha de experiências que chamamos você para participar do VIII CONGRESSO SOBRE GÊNERO, EDUCAÇÃO E AFRODESCENDÊNCIA: ESPERANÇAR EM CRISES HISTÓRICAS – dias 10, 11 e 12 de novembro de 2021, de maneira on-line – para dialogar-ensinar-aprender sobre/com nossas narrativas, que trabalhem criatividades, sucessos, protagonismos, fraternidades, sororidades, forças, confianças, persistências e conquistas diversas, como maneiras de esperançar de afrodescendentes nos seus diferentes cotidianos, problematizando racismos, machismos, discriminações, violências, hegemonias, hierarquizações epistêmicas e sociais em geral.

Este ano, na oitava edição, pedimos inspiração ao ideograma tabono, uma das letras/símbolos ou adinkra do povo aká de Gana, mais especificamente, para pensar/sentir o esperançar diante dos eventos mundiais desde março do ano passado, em particular sobre a doença provocada pelo Novo Coronavírus, a Covid-19, e das crises que já enfrentamos com êxito silencioso como povos historicamente e criativamente com força, confiança e persistência. Esperançar, nutridas/os por “força, confiança e persistência” históricas é o nosso modo de incentivar pensamentos positivos – atividades construtivas – consequências existenciais de afirmação das existências particulares dos povos afrodescendentes dos continentes e das diásporas. 

Te convidamos também para passear pelo nosso site: https://viiicongeafro.wixsite.com/2021. E, ao decidir participar, queremos te dizer que estaremos muito alegres por sua companhia neste congresso. Aproveite para preparar o seu resumo e apresentar em uma das modalidades que teremos este ano.

Axé!

Coordenação do VIII CONGEAfro: esperançar em crises históricas.

 

Referência:

NASCIMENTO, Elisa Larkin & GÁ, Luiz Carlos. (Orgs.). Adinkra: sabedoria em símbolos africanos. Rio de Janeiro: Pallas, 2009.


quarta-feira, 4 de agosto de 2021

 

"Criações da Larice", Cartaz: Carloshslv, colagem digital, 2021.

“Criações da Larice”

“Criações da Larice” faz parte do podcast “Arte como Narrativa e Cuidado” (Projeto de Pesquisa DEA/Roda Griô/PROPESQI/PREXC/UFPI). Vamos ouvir a narrativa da jovem Larice Monteiro, uma mulher afrodescendente brasileira que nasceu em Teresina, no Piauí, mas reside em Timon, no Maranhão. O nome da sua página no Instagram chama-se @laricemis. Sua história de vida passa-se em um ambiente onde a mãe e toda a família sempre a incentivava a criar arte no cotidiano. Larice narra um pouco da sua história como cuidado de si e nos faz refletir sobre suas experiências e as nossas.  

Aproveite, ouça o nosso podcast (links abaixo), veja as imagens das artes da Larice Monteiro e deixe sua mensagem acessando nosso Instagram e Facebook, abaixo. Gratidão!

Ouça o podcast em:

Spotify: https://open.spotify.com/show/3pnjDqPkV3Ofo4fxancUZe.

Google Podcasts:  https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy8zMDZhNjVhMC9wb2RjYXN0L3Jzcw==.

Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/us/podcast/arte-como-narrativa-e-cuidado/id1560181906?uo=4

Acesse @roda_grio (Instagram) e RodaGriô Congeafro (Facebook) para ver as imagens e deixar sua mensagem.



Postagem em destaque

A RODA EM EXTENSÃO NA UFPI

 Encontro da RODA GRIÔ com PIBID no Programa de Extensão ARTE, ENSINO E PESQUISA: A FORMAÇÃO DOCENTE E AS QUESTÕES DE GÊNERO, EDUCAÇÃO E AFR...