sábado, 7 de maio de 2011

Roda Griô: a abolição e AS ABOLIÇÕES


PARTICIPE!

RODA GRIÔ: EDUCAÇÃO, GÊNERO E AFRODESCENDÊNCIA
Universidade Federal do Piauí – Auditório do CCE.
DIA 13 DE MAIO DE 2011

DEBATE: “a abolição e AS ABOLIÇÕES”
8h – Alci Marcus Ribeiro Borges (Mestre em Educação/UFPI, Especialista em Direitos Humanos, Professor, Advogado);
10h   – Sônia Terra (Ex-Presidenta da FUNDAC, Diretora de Políticas Públicas para Mulheres da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SASC), Militante do Movimento Negro do Instituto de Mulheres Negras do Piauí (YABÁS);
         - Antônio Bispo dos Santos (Coordenação das Comunidades Quilombolas do Piauí)


Roda Griô: Educação, Gênero e Afrodescendência

No dia 15 de abril aconteceu o segundo encontro "Roda Griô" na Universidade Federal do Piauí.  

 
PROGRAMAÇÃO
14h-16h
TEMA:
O Papel da(o)   Pesquisadora(r)   na  Globalização Perversa: Impasses e Desafios.
MESA:
Elizete Dias da Silva
Haldaci Regina da   Silva
Luciênia Libânio P. Martins       
Ranchimit B. Nunes
(Mestrandas(o) em  Educação PPGEd/UFPI)


16h-18h
TEMA:
Saber, Pesquisa e Atuação Social
MESA:
Ana Carolina M. Fortes
Francilene B. da Silva
Raimunda F. G. Coelho 
(Mestrandas em Educação PPGEd/UFPI)
Coordenador: Prof. Francis Musa Boakari (Ph.D./PPGEd/UFPI) 
Encerramento


Elizete Dias da Silva durante sua exposição disse que a academia parece que nos impõe a “tirar o coração” nas pesquisas que fazemos, se referindo às subjetividades humanas. Elizete vem desenvolvendo uma pesquisa numa comunidade de remanescentes de quilombo, mas que, diferentemente de muitas, é de mais fácil acesso daquelas existentes no Brasil. Localizada na zona rural da cidade de Teresina, esta comunidade, muitas vezes, apresenta, na visão da pesquisadora, um comportamento negativo quando chamada a mostrar suas qualidades e, também, ao ser mencionada pelo povo da localidade, é vista com estigmas. Sua pesquisa versa sobre o por quê das atitudes negativas com relação a essas e esses afrodescendentes. Falou da vida da comunidade como um contínuo movimento onde a “vida corre” e alguns posicionamentos acadêmicos com relação a esse contínuo.

Haldaci Regina da Silva veio trazendo um vídeo documentário sobre o “Candomblé” e fez uma ligação do que foi exposto com a situação da sua pesquisa sobre os Terreiros de Umbanda e Candomblé no Piauí e a educação que as Mães de Santo exercem nesses terreiros. Lembra que Teresina tem mais Mães de Santo do que Pais de Santo e, que, trazer essas populações para serem estudadas na academia, é um desafio que nos faz refletir: Por que tanto preconceito contra as religiões de matrizes africanas e não com aquelas ocidentais? Ser afrodescendente implicaria algo sobre esses preconceitos, discriminações e racismos?


Luciênia Libânio P. Martins vem fazendo pesquisa na área da psicologia e quer saber mais como as mulheres afrodescendentes fazem para ter mobilidade social ascendente e como a auto-estima x baixa estima influenciam nas atitudes e comportamentos de tais mulheres. Luciênia também mostrou um vídeo com várias mulheres de sucesso nas sociedades  modernas e contemporâneas. Parece que a resiliência, a inteligência, a perspicácia das mulheres são fatores que podem fazer a diferença em seus percursos sociais.


Ranchimit B. Nunes está trabalhando com um tema ligado às comunidades quilombolas. Ele fez uma experiência em uma comunidade do sul do Piauí em uma escola quilombola e trouxe para o Roda Griô aquilo que o motivou fazer pesquisa. Na comunidade que trabalhou como pedagogo, é pequeno o número de pessoas que se reconhecem como descendentes de africanos, segundo o mestrando. Ele pretende ainda focalizar o seu trabalho, que ainda está iniciando, na questão de gênero e afrodescendência como influência na educação escolar local.
Saber, Pesquisa e Atuação Social
Prof. Francis Musa Boakari falou um pouco sobre a importância das nossas histórias como pesquisadoras e pesquisadores, e também das vivências com o tema da afrodescendência na academia. Lembrou que, as histórias contadas nesse Roda Griô, fazem parte de tentativas de estarmos comprometidos e comprometidas com as transformações sociais e culturais para alcançarmos perspectivas mais justas.
Ana Carolina M. Fortes narrou um pouco de sua aproximação “embrionária” com o tema que pretende ainda pesquisar no campo da educação escolar aliado às discussões sobre o rendimento dos estudantes afrodescendentes x não-afrodescendentes em escola particular, no cenário teresinense. Discorreu ainda, sobre as possíveis modificações desse estudo, devido às discussões sobre gênero e afrodescendência que vem observando.
Raimunda F. G. Coelho vem organizando seu projeto de pesquisa no âmbito das comunidades quilombolas de São João do Piauí, pensando mais os aspectos das políticas públicas, da comunicação e do movimento social organizado por pessoas dessas comunidades, a pesquisadora traz amplas discussões que serão, com o avançar dos estudos, revistas. E, a partir disso, irá focalizar o seu objeto de estudo e fazer um recorte mais definido do seu problema de pesquisa. Mas, já acentua em sua fala o potencial que essas comunidades vêm desenvolvendo ao longo da história brasileira, piauiense, etc.
"sacos de vivências ou mercadorias"
Francilene Brito da Silva falou dos seus estudos e história pessoal e profissional ligados ao tema da arte afrodescendente brasileira. Introduziu seus pensamentos com uma dinâmica que intitulou de “Sacos de Vivências ou Mercadorias”, onde as(os) partícipes do evento levantaram e foram interagir com vários elementos como: papelão, plásticos e imagens de arte afrodescendente brasileira, que se encontravam dentro de sacos transparentes como se tivessem expostos numa feira livre onde cada pessoa escolhia sua imagem  (escondida no fundo de cada saco). Quis com isso, que refletíssemos sobre o que é que chamamos de “Arte Afrodescendente”. Quais os silenciamentos, os estigmas, os estereótipos presentes nessas imagens? Trouxe ainda reflexões de Antonieta Antonaci e Alberto da Costa e Silva sobre essas artes. Os sujeitos de sua pesquisa serão três professoras/educadores de Arte de Teresina. Entre discurso e prática dessas professoras serão observadas, dentre outras coisas, as ligações que tecem com a Lei 10.639/2003 e 11.645/2008 – que versão sobre História e Cultura Africana e Afro-Brasileira...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mulher afrodescendente: trajetória de êxito e sucesso




Você acha que lugar de mulher é na cozinha? Lugar das afrodescendentes é cuidar da casa da mulher branca? Caso afirmativo, você precisa urgentemente mudar seus referenciais.


O Século XXI chegou marcado pela agitação dos muitos compromissos e contínua sensação de estar atrasado sem tempo, puro stress! Neste contexto a vida de muitas mulheres se desdobra entre ser mãe, profissional, mulher. Elas acalentam sonhos que ultrapassam sua “fragilidade” para ganhar visibilidade nas conquistas diárias, revelando fortaleza, inteligência, feminilidade, competência, proatividade. Assim se faz caminho que se abre para a posteridade, pois o exemplo feminino derruba preconceitos seculares e contraria as previsões pessimistas. Refletir sobre esta temática parece lugar comum; entretanto, há uma realidade que não se costuma falar: a realidade da mulher afrodescendente.
Passados mais de cento e vinte anos da abolição da escravidão no Brasil (1888), ainda há inúmeros episódios de racismo veiculados pelos Meios de Comunicação Social. É, racismo no Brasil! Não venha dizer que somos uma democracia racial, porque os fatos e a situação econômica de milhões de afrodescendentes desmascaram o perverso racismo brasileiro e, tratando-se da mulher afrodescendente, a discriminação se avoluma: mulher, negra e, se for pobre, forma uma mistura explosiva na “redondeza quadrada” da mente de quem se julga superior por ter pele clara!
Não se concebe em pleno século XXI que uma visão míope (desculpem-me os míopes) acredite na falácia da superioridade racial! Entretanto, transcorridos tanto tempo, há quem se deixa enganar por esse raciocínio medíocre. A ciência biológica afirma não existir  raças entre os humanos. Pesquisas afirmam a África como o “berço da humanidade”; no entanto, a sociedade persiste e insiste na classificação a partir da cor da pele. Ó, quanta insensatez!
O grupo de pesquisa da UFPI, do Centro de Ciências da Educação, sob a orientação do pesquisador professor doutor Francis Musa Boakari, constituído por alunas da graduação em Pedagogia e por mestrandas em Educação, Elizete Dias da Silva e Francilene Brito da Silva desenvolve a pesquisa Estórias de brasileiras afrodescendentes de sucesso: diferenciações intergeracionais de raça e gênero na educação. “O propósito básico deste estudo é determinar, aprofundando a compreensão das experiências e estratégias que as mulheres afrodescendentes de gerações diferentes usam para superar as discriminações raciais e de gênero presentes nas suas vidas cotidiana e sócio educacional e também, desvelar se as políticas que objetivam amenizar e remover as desigualdades sociais baseadas na raça e no gênero estão de fato, tendo os efeitos desejados na vida da população negra”. (Objetivo geral do Projeto)
Nossa pesquisa tem relevância científica e social por tratar de tema silenciado na nossa sociedade e quer contribuir para a reflexão e superação do racismo no Brasil. Para realizar o objetivo acima citado, foram entrevistadas mulheres afrodescendentes que conquistaram sucesso na vida escolar, acadêmica e profissional, superando preconceitos e discriminações. São emocionantes os depoimentos ao mesmo tempo são importantes para as gerações mais jovens que, na contemporaneidade, também enfrentam discriminações raciais. Embora as entrevistadas não tenham a intenção de serem ícones, são exemplos de vitória numa sociedade marcadamente racista e sexista.
As afrodescendentes entrevistadas trazem em comum a dedicação aos estudos como meio eficaz para superarem barreiras. Este dado pode ser usado como justificativas para a ala contrária às cotas para o ingresso de afrodescendentes nas universidades. Por outro lado, diametralmente oposto, lança luz sobre o mesmo tema, pois ainda os afrodescendentes são minoria nos espaços acadêmicos, seja como graduand@, mestrand@, doutorand@ e professor@ universitári@. Dados do IBGE (PNAM, 2008) demonstram a presença rarefeita dos afrodescendentes nos espaços acadêmicos, apresentando proporção de 20,8% para brancos e 7,7% para pretos e pardos entre estudantes de 18 a 25 anos frequentando Ensino Superior.  No tocante a conclusão dos cursos universitários os números baixam ainda mais, 14,3% para brancos e 4,7% para pretos e pardos.
Outro aspecto comum entre as entrevistas foram as situações de discriminação enfrentadas ao longo das suas trajetórias de vida. Foram impedidas de participar de festividades promovidas pelas escolas que frequentaram; às vezes sem explicação; outras vezes era dito que era por serem negras. Também citaram situações em que foram e ainda são confundidas com empregadas domésticas. Este fato demonstra a concepção preconceituosa sobre a mulher negra, concebida como alguém sem escolaridade e, por isso, vista como trabalhadora de baixa qualificação profissional. Neste sentido, merece um adendo às empregadas domésticas que têm se organizado para o fortalecimento da categoria, buscando espaço político e investindo na qualificação das profissionais.  Esta realidade denota que, para a sociedade brasileira, alcançar boa qualificação acadêmica e ser profissional de qualidade não são atributos para afrodescendentes. Para as mulheres entrevistadas, o racismo ainda persiste mesmo tendo conquistado sucesso acadêmico e profissional.
Ao longo dos anos as mulheres têm conquistado espaços inusitados na sociedade brasileira e mundial, ocupando lugares antes concebidos como específicos para os homens. No entanto, mesmo constatando-se a capacidade feminina, os preconceitos ainda prevalecem; as concepções sobre o papel feminino ainda o condiciona a coadjuvante na superação dos entraves da convivência e na busca de solução para problemas seculares.
As mulheres foram à luta ultrapassando os limites impostos e foram mostrando para si mesmas sua condição de colocar suas capacidades em movimento, gerando mudanças no comportamento e, consequentemente, já não se limitando às fronteiras antigas. Do mesmo modo, as afrodescendentes vêm conquistando seu espaço e abrindo perspectivas para novo modo de ser e de se por no mundo.

Irmã Elizete Dias da Silva
Religiosa da Congregação das Irmãs Servas da Sagrada Família, Psicóloga pela UFBA, Mestranda em Educação pela UFPI.

domingo, 3 de abril de 2011

Mulher afrodescendente: trajetória de êxito e sucesso

Ir. Elizete Dias da Silva

Você acha que lugar de mulher é na cozinha? Lugar das afrodescendentes é cuidar da casa da mulher branca? Caso afirmativo, você precisa urgentemente mudar seus referenciais. 
O Século XXI chegou marcado pela agitação dos muitos compromissos e contínua sensação de estar atrasado sem tempo, puro stress! Neste contexto a vida de muitas mulheres se desdobra entre ser mãe, profissional, mulher. Elas acalentam sonhos que ultrapassam sua “fragilidade” para ganhar visibilidade nas conquistas diárias, revelando fortaleza, inteligência, feminilidade, competência, proatividade. Assim se faz caminho que se abre para a posteridade, pois o exemplo feminino derruba preconceitos seculares e contraria as previsões pessimistas. Refletir sobre esta temática parece lugar comum; entretanto, há uma realidade que não se costuma falar: a realidade da mulher afrodescendente.
Passados mais de cento e vinte anos da abolição da escravidão no Brasil (1888), ainda há inúmeros episódios de racismo veiculados pelos Meios de Comunicação Social. É, racismo no Brasil! Não venha dizer que somos uma democracia racial, porque os fatos e a situação econômica de milhões de afrodescendentes desmascaram o perverso racismo brasileiro e, tratando-se da mulher afrodescendente, a discriminação se avoluma: mulher, negra e, se for pobre, forma uma mistura explosiva na “redondeza quadrada” da mente de quem se julga superior por ter pele clara!
Não se concebe em pleno século XXI que uma visão míope (desculpem-me os míopes) acredite na falácia da superioridade racial! Entretanto, transcorridos tanto tempo, há quem se deixa enganar por esse raciocínio medíocre. A ciência biológica afirma não existir  raças entre os humanos. Pesquisas afirmam a África como o “berço da humanidade”; no entanto, a sociedade persiste e insiste na classificação a partir da cor da pele. Ó, quanta insensatez!
O grupo de pesquisa da UFPI, do Centro de Ciências da Educação, sob a orientação do pesquisador professor doutor Francis Musa Boakari, constituído por alunas da graduação em Pedagogia e por mestrandas em Educação, Elizete Dias da Silva e Francilene Brito da Silva desenvolve a pesquisa Estórias de brasileiras afrodescendentes de sucesso: diferenciações intergeracionais de raça e gênero na educação. “O propósito básico deste estudo é determinar, aprofundando a compreensão das experiências e estratégias que as mulheres afrodescendentes de gerações diferentes usam para superar as discriminações raciais e de gênero presentes nas suas vidas cotidiana e sócio educacional e também, desvelar se as políticas que objetivam amenizar e remover as desigualdades sociais baseadas na raça e no gênero estão de fato, tendo os efeitos desejados na vida da população negra”. (Objetivo geral do Projeto)
Nossa pesquisa tem relevância científica e social por tratar de tema silenciado na nossa sociedade e quer contribuir para a reflexão e superação do racismo no Brasil. Para realizar o objetivo acima citado, foram entrevistadas mulheres afrodescendentes que conquistaram sucesso na vida escolar, acadêmica e profissional, superando preconceitos e discriminações. São emocionantes os depoimentos ao mesmo tempo são importantes para as gerações mais jovens que, na contemporaneidade, também enfrentam discriminações raciais. Embora as entrevistadas não tenham a intenção de serem ícones, são exemplos de vitória numa sociedade marcadamente racista e sexista.
As afrodescendentes entrevistadas trazem em comum a dedicação aos estudos como meio eficaz para superarem barreiras. Este dado pode ser usado como justificativas para a ala contrária às cotas para o ingresso de afrodescendentes nas universidades. Por outro lado, diametralmente oposto, lança luz sobre o mesmo tema, pois ainda os afrodescendentes são minoria nos espaços acadêmicos, seja como graduand@, mestrand@, doutorand@ e professor@ universitári@. Dados do IBGE (PNAM, 2008) demonstram a presença rarefeita dos afrodescendentes nos espaços acadêmicos, apresentando proporção de 20,8% para brancos e 7,7% para pretos e pardos entre estudantes de 18 a 25 anos frequentando Ensino Superior.  No tocante a conclusão dos cursos universitários os números baixam ainda mais, 14,3% para brancos e 4,7% para pretos e pardos.
Outro aspecto comum entre as entrevistas foram as situações de discriminação enfrentadas ao longo das suas trajetórias de vida. Foram impedidas de participar de festividades promovidas pelas escolas que frequentaram; às vezes sem explicação; outras vezes era dito que era por serem negras. Também citaram situações em que foram e ainda são confundidas com empregadas domésticas. Este fato demonstra a concepção preconceituosa sobre a mulher negra, concebida como alguém sem escolaridade e, por isso, vista como trabalhadora de baixa qualificação profissional. Neste sentido, merece um adendo às empregadas domésticas que têm se organizado para o fortalecimento da categoria, buscando espaço político e investindo na qualificação das profissionais.  Esta realidade denota que, para a sociedade brasileira, alcançar boa qualificação acadêmica e ser profissional de qualidade não são atributos para afrodescendentes. Para as mulheres entrevistadas, o racismo ainda persiste mesmo tendo conquistado sucesso acadêmico e profissional.
Ao longo dos anos as mulheres têm conquistado espaços inusitados na sociedade brasileira e mundial, ocupando lugares antes concebidos como específicos para os homens. No entanto, mesmo constatando-se a capacidade feminina, os preconceitos ainda prevalecem; as concepções sobre o papel feminino ainda o condiciona a coadjuvante na superação dos entraves da convivência e na busca de solução para problemas seculares.
As mulheres foram à luta ultrapassando os limites impostos e foram mostrando para si mesmas sua condição de colocar suas capacidades em movimento, gerando mudanças no comportamento e, consequentemente, já não se limitando às fronteiras antigas. Do mesmo modo, as afrodescendentes vêm conquistando seu espaço e abrindo perspectivas para novo modo de ser e de se por no mundo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A DESIGUALDADE NO BRASIL TEM SEXO E COR

Elizete Dias da Silva

(Mestranda em Educação UFPI)



Cicatrizes de Leslie Amaral



O Brasil é conhecido pela sua vasta riqueza natural. Mas também sua injusta distribuição de renda. Poucos têm mais recursos e oportunidades que a imensa maioria pobre da população. Esta realidade também se aplica ao estado do Piauí.
As mulheres negras são vítimas de tripla discriminação: por ser mulher, negra e pobre. Nossa sociedade patriarcal, sexista elegeu o homem branco, heterossexual como padrão. Em decorrência de tal escolha, a sociedade olha com reserva famílias cujo comando seja da mulher. A mulher tem seus ganhos salariais reduzidos se comparados com os salários dos homens. Caso esta mulher seja negra, a discriminação se avoluma, porque além de ser mulher pertence a um contingente que historicamente é marginalizado e discriminado pela cor. Os negros são pobres.
O Piauí não tem oficialmente presença de nações indígenas, embora haja na sua população traços fisionômicos marcantes de descendência indígena. Sabemos da existência dessas nações no passado e do seu extermínio em decorrência da invasão de outros povos às terras piauienses. Indígenas e negros, na nossa história, tiveram o mesmo tratamento. Vejamos a carta de Esperança Garcia.
A CARTA

"Eu sou hua escrava de V. Sa. administração de Capam. Antº Vieira de Couto, cazada. Desde que o Capam. lá foi adeministrar, q. me tirou da fazenda dos algodois, aonde vevia com meu marido, para ser cozinheira de sua caza, onde nella passo mto mal.
A primeira hé q. ha grandes trovoadas de pancadas em hum filho nem sendo uhã criança q. lhe fez estrair sangue pella boca, em mim não poço esplicar q. sou hu colcham de pancadas, tanto q. cahy huã vez do sobrado abaccho peiada, por mezericordia de Ds. esCapei.
A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confeçar a tres annos. E huã criança minha e duas mais por batizar.
Pello q. Peço a V.S. pello amor de Ds. e do seu Valimto. ponha aos olhos em mim ordinando digo mandar a Procurador que mande p. a fazda. aonde elle me tirou pa eu viver com meu marido e batizar minha filha q.
De V.Sa. sua escrava Esperança Garcia”

(Disponível em: <http://www.fnt.org.br/reportagens.php>.  Acessado em 02/11/2010.)

Na época da escravidão oficial no Brasil, no Piauí houve um fato que até pouco tempo não se tinha notícia: uma escrava alfabetizada escreveu uma carta denunciando os maus tratos que sofria por parte de um administrador da fazenda em que ela morava. Não sabemos o desdobramento da denúncia, mas o fato chama atenção. Uma escrava alfabetizada! Mulher e escrava; vítima de maus tratos; denuncia a situação de sofrimento. Estes dados relembram a condição de muitas mulheres no Piauí e no Brasil. Todavia, sua atitude de escrever denota uma conquista valorosa em se tratando do tempo da escravidão. Usou o conhecimento para denunciar a situação em que ela estava submetida junto com outras “parceiras”, como também o não cumprimento do administrador em providenciar o sacerdote para batizar as crianças e escutar as confissões dos escravos. Esperança Garcia não tem o rosto conhecido, não sabemos como eram seus traços físicos, mas não deveriam ser diferentes de tantos rostos de mulheres negras, piauienses.
Temos um exemplo histórico de protagonismo feminino no Piauí. Certamente, há outros tantos protagonismos de mulheres que ficaram e ficam no anonimato. A partir dos textos estudados e do exemplo de Esperança Garcia, propomos a seguinte atividade:

Faça uma enquete sobre a mulher na condição de comando nas mais diversas situações.
As respostas recolhidas confirmam ou não o pensamento antigo de que as mulheres não servem para comandar? Por quê? 



REFERÊNCIAS 


Disponível em: <http://www.fnt.org.br/reportagens.php>. acesso em: 02 nov. 2010.
Disponível em:  < http://biografias.netsaber.com.br/ver_biografia_c_1903.html>. Acesso em 02 nov. 2010.
Disponível em: <http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/05/%E2%80%9Ccicatrizes%E2%80%9D-africa-marcada-no-mube%E2%80%9Ccicatrizes%E2%80%9D-africa-marcada-no-mube/>. Acessado em 21 fev. 2011.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mulheres negras predominam no trabalho doméstico

Segundo pesquisa realizada pelo Sistema Pesquisa de Emprego e Desemprego intitulada "As mulheres no mercado de trabalho do Distrito Federal" as mulheres negras estão em maior número dentre aquelas que trabalham em empregos vulneráveis, tais como, serviços domésticos. Trazendo como referência a capital de nosso país, isso representa algo significativo para o poder público e a população em geral. As mulheres brasileiras ainda são maioria em locais como comércio, indústrias e nos serviços domésticos. Dentre essas, as mulheres negras continuam liderando nos locais de serviços domésticos. E, ainda com baixa remuneração, menos direitos garantidos, etc. Por que isso ainda acontece?
De acordo com alguns gráficos e tabelas referentes a 2009 os pesquisadores dizem:
As mulheres ocupam 47,6% do total de postos de trabalho existentes no Distrito Federal.
Os Serviços respondem por um pouco menos do que 2/3 do contingente de trabalhadoras
(63,5%), seguidos, à distância, pelos Serviços Domésticos (17,0%), Comércio (14,4%) e Indústria (3,3%) (Gráfico 1).
Ainda:
Do ponto de vista da raça/cor, o Gráfico 1 demonstra que, em 2009, havia maior equilíbrio
da participação entre negras e não-negras na Indústria e no Comércio, enquanto sobressai a
proporção de não-negras nos Serviços e de negras nos Serviços Domésticos.
Essa característica peculiar nos Serviços Domésticos também pode ser constatada ao se
observar a Tabela 1: do total de mulheres ocupadas em 2009, 64,5% eram negras e 35,5%
não-negras; tal distribuição assemelha-se entre as ocupadas na Indústria, no Comércio e nos
Serviços, enquanto nos Serviços Domésticos havia uma sobre-representação de mulheres
negras (81,0%). Importante notar que, entre 2000 e 2009, permaneceu praticamente
inalterada a sobre-representação das trabalhadoras negras nos serviços domésticos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SIS 2010: Mulheres mais escolarizadas são mães mais tarde e têm menos filhos

Fecundidade varia com escolaridade, cor ou raça e região de residência das mulheres
Em 2009, a taxa de fecundidade total (número médio de filhos que uma mulher teria ao final do seu período fértil) foi de 1,94. Esse valor resulta de um declínio da fecundidade na sociedade brasileira, nas últimas décadas. Rio de Janeiro (1,63) e Minas Gerais (1,67) tinham em 2009 as menores taxas; Acre (2,96) e Amapá (2,87), as maiores. Este declínio da fecundidade vem ocorrendo nas últimas décadas em todas as regiões e em todos os grupos sociais, independentemente da renda, cor e nível.
A escolaridade é um dos condicionantes do comportamento da fecundidade feminina. Para o país como um todo, as mulheres com até 7 anos de estudo tinham, em média, 3,19 filhos, enquanto o número de filhos das mulheres com 8 anos ou mais de estudo era 1,68. Comparando os valores regionais extremos, a distância que separa a fecundidade das mulheres menos instruídas da região Norte (3,61) daquelas que possuem mais escolaridade no Sudeste (1,60) era de 2,01 filhos.
Entre as mulheres com menos de 7 anos de estudo, o grupo de 20 a 24 anos de idade concentrava, em 2009, 37% da fecundidade total, e o de 15 a 19 anos, 20,3%. Já entre as mulheres com 8 anos ou mais de estudo, os grupos etários de 20 a 24 anos (25,0%) e de 25 a 29 anos (24,8%) concentravam, juntos, quase metade da fecundidade, e o grupo entre 15 e 19 anos concentrava 13,3%. Entre as mulheres com menor grau de instrução o padrão de fecundidade tende a ser mais jovem. Como resultado, a idade média com que as mulheres têm filhos também se diferenciava pela instrução: entre aquelas com menos de 7 anos de estudo, a média era de 25,2 anos. Entre as que tinham 8 anos ou mais de escolaridade, a idade média era 27,8, uma diferença de 2,6 anos.
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1717&id_pagina=1
acesso em: 26/09/2010.

Roda Griô Mulher Afrodescendente: debates sobre raça, gênero e Educação

“As mulheres têm lutado bastante por respeito e igualdade entre os sexos e já conquistaram vários direitos, mas ainda sofrem preconceito; muitas vezes, principalmente se forem negras, não são reconhecidas devidamente pela sociedade tendo que mostrar suas capacidades todos os dias.” (Thaysy Luanna R. Sousa).

Desta forma, existe número crescente de mulheres que vem galgando sucesso, superando estatísticas educacionais, por exemplo.  Esta conquista é importante não só como vitória pessoal, mas pelo fato de trazer para o debate as políticas públicas de ações afirmativas e as condições para se pensar uma sociedade em que a dignidade e a cidadania sejam respeitadas. 

Sobre as conquistas e também sobre   os   desafios do caminho a ser construído, o Grupo de estudo “Estórias de brasileiras afrodescendentes de sucesso: diferenciações inter-geracionais de raça e gênero na Educação”, promoveu nos dias 18 e 19 de novembro de 2010, o evento “Roda Griô Mulher Afrodescendente: debates sobre raça, gênero e educação”.
Os objetivos do evento foram:
· Promover debate sobre a realidade da mulher afrodescendente;
· Tornar conhecido o Grupo e socializar o trabalho que vem sendo desenvolvido sobre a mulher afrodescendente;
· Provocar debate sobre o dia da Consciência Negra como Consciência Brasileira.

A Programação foi a seguinte:
DIA 18/11/2010
08h-10h   Sala de Vídeo/CCE
Inscrição e Abertura
Prof. Dr. José Augusto de Carvalho Mendes Sobrinho
“Consciência Negra/Consciência Brasileira?”—Prof. Francis Musa Boakari (Pós-Ph.D., DEFE, CCE/UFPI)
10h-12h   Sala de Vídeo/CCE
“Experiências educacionais de mulher brasileira afrodescendente”—Vereadora Maria do Rosário de Fátima Biserra Rodrigues.
14h-16h (exibição de filmes)
Auditório—CCE
“Mojubá (sobre afrodescendência) - Francilene Brito da Silva
Sala de Vídeo—CCE
“Nota 10” (sobre afrodescendência e escola) - Vicelma Maria de Paula Barbosa Sousa e Wladimy Lima Silva
16h-18h  Auditório—CCE
Mesa Redonda: “Brasileiras afrodescendentes: conversa sobre conquistas e desafios”—Profa. Francisca do Nascimento Sousa (Mestra/UFPI)
Jascira da Silva Lima (Mestra/UFCG)
Coordenadora: Ir. Elizete Dias da Silva (Psicóloga/ UFBA, Mestranda/UFPI) 
DIA  19/11/2010
08h-10h   Auditório—CCE
Roda Griô “Pesquisa sobre Estórias de brasileiras afrodescendentes”— Pesquisadoras do CCE:
Maura Talita Araújo de Sousa,
Ruhama Marisbela Aguiar Alves,
Thaysy Luanna Rocha Sousa,
Iana Mara Bento de Sousa,
Coordenador: Prof. Francis Musa Boakari
10h-12h   Auditório—CCE
“A mulher e sua inserção sócio-político no Piaui”— Pesquisadora: Maria Hortência Mendes de Sousa
14h-16h  (exibição de filmes)
Auditório—CCE
“Kiriku e a Feiticeira” - longa de Michel Ocelot—Francilene Brito da Silva e Valdenia Pinto de Sampaio Araújo
16h-18h   Auditório—CCE
“Professora, Doutora em Educação, pesquisadora e negra”—Profa. Ana Beatriz Sousa Gomes (Doutora/UFC)
18:30h Encerramento—Beira Mar Capoeira

Postagem em destaque

A RODA EM EXTENSÃO NA UFPI

 Encontro da RODA GRIÔ com PIBID no Programa de Extensão ARTE, ENSINO E PESQUISA: A FORMAÇÃO DOCENTE E AS QUESTÕES DE GÊNERO, EDUCAÇÃO E AFR...