segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mulher afrodescendente: trajetória de êxito e sucesso




Você acha que lugar de mulher é na cozinha? Lugar das afrodescendentes é cuidar da casa da mulher branca? Caso afirmativo, você precisa urgentemente mudar seus referenciais.


O Século XXI chegou marcado pela agitação dos muitos compromissos e contínua sensação de estar atrasado sem tempo, puro stress! Neste contexto a vida de muitas mulheres se desdobra entre ser mãe, profissional, mulher. Elas acalentam sonhos que ultrapassam sua “fragilidade” para ganhar visibilidade nas conquistas diárias, revelando fortaleza, inteligência, feminilidade, competência, proatividade. Assim se faz caminho que se abre para a posteridade, pois o exemplo feminino derruba preconceitos seculares e contraria as previsões pessimistas. Refletir sobre esta temática parece lugar comum; entretanto, há uma realidade que não se costuma falar: a realidade da mulher afrodescendente.
Passados mais de cento e vinte anos da abolição da escravidão no Brasil (1888), ainda há inúmeros episódios de racismo veiculados pelos Meios de Comunicação Social. É, racismo no Brasil! Não venha dizer que somos uma democracia racial, porque os fatos e a situação econômica de milhões de afrodescendentes desmascaram o perverso racismo brasileiro e, tratando-se da mulher afrodescendente, a discriminação se avoluma: mulher, negra e, se for pobre, forma uma mistura explosiva na “redondeza quadrada” da mente de quem se julga superior por ter pele clara!
Não se concebe em pleno século XXI que uma visão míope (desculpem-me os míopes) acredite na falácia da superioridade racial! Entretanto, transcorridos tanto tempo, há quem se deixa enganar por esse raciocínio medíocre. A ciência biológica afirma não existir  raças entre os humanos. Pesquisas afirmam a África como o “berço da humanidade”; no entanto, a sociedade persiste e insiste na classificação a partir da cor da pele. Ó, quanta insensatez!
O grupo de pesquisa da UFPI, do Centro de Ciências da Educação, sob a orientação do pesquisador professor doutor Francis Musa Boakari, constituído por alunas da graduação em Pedagogia e por mestrandas em Educação, Elizete Dias da Silva e Francilene Brito da Silva desenvolve a pesquisa Estórias de brasileiras afrodescendentes de sucesso: diferenciações intergeracionais de raça e gênero na educação. “O propósito básico deste estudo é determinar, aprofundando a compreensão das experiências e estratégias que as mulheres afrodescendentes de gerações diferentes usam para superar as discriminações raciais e de gênero presentes nas suas vidas cotidiana e sócio educacional e também, desvelar se as políticas que objetivam amenizar e remover as desigualdades sociais baseadas na raça e no gênero estão de fato, tendo os efeitos desejados na vida da população negra”. (Objetivo geral do Projeto)
Nossa pesquisa tem relevância científica e social por tratar de tema silenciado na nossa sociedade e quer contribuir para a reflexão e superação do racismo no Brasil. Para realizar o objetivo acima citado, foram entrevistadas mulheres afrodescendentes que conquistaram sucesso na vida escolar, acadêmica e profissional, superando preconceitos e discriminações. São emocionantes os depoimentos ao mesmo tempo são importantes para as gerações mais jovens que, na contemporaneidade, também enfrentam discriminações raciais. Embora as entrevistadas não tenham a intenção de serem ícones, são exemplos de vitória numa sociedade marcadamente racista e sexista.
As afrodescendentes entrevistadas trazem em comum a dedicação aos estudos como meio eficaz para superarem barreiras. Este dado pode ser usado como justificativas para a ala contrária às cotas para o ingresso de afrodescendentes nas universidades. Por outro lado, diametralmente oposto, lança luz sobre o mesmo tema, pois ainda os afrodescendentes são minoria nos espaços acadêmicos, seja como graduand@, mestrand@, doutorand@ e professor@ universitári@. Dados do IBGE (PNAM, 2008) demonstram a presença rarefeita dos afrodescendentes nos espaços acadêmicos, apresentando proporção de 20,8% para brancos e 7,7% para pretos e pardos entre estudantes de 18 a 25 anos frequentando Ensino Superior.  No tocante a conclusão dos cursos universitários os números baixam ainda mais, 14,3% para brancos e 4,7% para pretos e pardos.
Outro aspecto comum entre as entrevistas foram as situações de discriminação enfrentadas ao longo das suas trajetórias de vida. Foram impedidas de participar de festividades promovidas pelas escolas que frequentaram; às vezes sem explicação; outras vezes era dito que era por serem negras. Também citaram situações em que foram e ainda são confundidas com empregadas domésticas. Este fato demonstra a concepção preconceituosa sobre a mulher negra, concebida como alguém sem escolaridade e, por isso, vista como trabalhadora de baixa qualificação profissional. Neste sentido, merece um adendo às empregadas domésticas que têm se organizado para o fortalecimento da categoria, buscando espaço político e investindo na qualificação das profissionais.  Esta realidade denota que, para a sociedade brasileira, alcançar boa qualificação acadêmica e ser profissional de qualidade não são atributos para afrodescendentes. Para as mulheres entrevistadas, o racismo ainda persiste mesmo tendo conquistado sucesso acadêmico e profissional.
Ao longo dos anos as mulheres têm conquistado espaços inusitados na sociedade brasileira e mundial, ocupando lugares antes concebidos como específicos para os homens. No entanto, mesmo constatando-se a capacidade feminina, os preconceitos ainda prevalecem; as concepções sobre o papel feminino ainda o condiciona a coadjuvante na superação dos entraves da convivência e na busca de solução para problemas seculares.
As mulheres foram à luta ultrapassando os limites impostos e foram mostrando para si mesmas sua condição de colocar suas capacidades em movimento, gerando mudanças no comportamento e, consequentemente, já não se limitando às fronteiras antigas. Do mesmo modo, as afrodescendentes vêm conquistando seu espaço e abrindo perspectivas para novo modo de ser e de se por no mundo.

Irmã Elizete Dias da Silva
Religiosa da Congregação das Irmãs Servas da Sagrada Família, Psicóloga pela UFBA, Mestranda em Educação pela UFPI.

domingo, 3 de abril de 2011

Mulher afrodescendente: trajetória de êxito e sucesso

Ir. Elizete Dias da Silva

Você acha que lugar de mulher é na cozinha? Lugar das afrodescendentes é cuidar da casa da mulher branca? Caso afirmativo, você precisa urgentemente mudar seus referenciais. 
O Século XXI chegou marcado pela agitação dos muitos compromissos e contínua sensação de estar atrasado sem tempo, puro stress! Neste contexto a vida de muitas mulheres se desdobra entre ser mãe, profissional, mulher. Elas acalentam sonhos que ultrapassam sua “fragilidade” para ganhar visibilidade nas conquistas diárias, revelando fortaleza, inteligência, feminilidade, competência, proatividade. Assim se faz caminho que se abre para a posteridade, pois o exemplo feminino derruba preconceitos seculares e contraria as previsões pessimistas. Refletir sobre esta temática parece lugar comum; entretanto, há uma realidade que não se costuma falar: a realidade da mulher afrodescendente.
Passados mais de cento e vinte anos da abolição da escravidão no Brasil (1888), ainda há inúmeros episódios de racismo veiculados pelos Meios de Comunicação Social. É, racismo no Brasil! Não venha dizer que somos uma democracia racial, porque os fatos e a situação econômica de milhões de afrodescendentes desmascaram o perverso racismo brasileiro e, tratando-se da mulher afrodescendente, a discriminação se avoluma: mulher, negra e, se for pobre, forma uma mistura explosiva na “redondeza quadrada” da mente de quem se julga superior por ter pele clara!
Não se concebe em pleno século XXI que uma visão míope (desculpem-me os míopes) acredite na falácia da superioridade racial! Entretanto, transcorridos tanto tempo, há quem se deixa enganar por esse raciocínio medíocre. A ciência biológica afirma não existir  raças entre os humanos. Pesquisas afirmam a África como o “berço da humanidade”; no entanto, a sociedade persiste e insiste na classificação a partir da cor da pele. Ó, quanta insensatez!
O grupo de pesquisa da UFPI, do Centro de Ciências da Educação, sob a orientação do pesquisador professor doutor Francis Musa Boakari, constituído por alunas da graduação em Pedagogia e por mestrandas em Educação, Elizete Dias da Silva e Francilene Brito da Silva desenvolve a pesquisa Estórias de brasileiras afrodescendentes de sucesso: diferenciações intergeracionais de raça e gênero na educação. “O propósito básico deste estudo é determinar, aprofundando a compreensão das experiências e estratégias que as mulheres afrodescendentes de gerações diferentes usam para superar as discriminações raciais e de gênero presentes nas suas vidas cotidiana e sócio educacional e também, desvelar se as políticas que objetivam amenizar e remover as desigualdades sociais baseadas na raça e no gênero estão de fato, tendo os efeitos desejados na vida da população negra”. (Objetivo geral do Projeto)
Nossa pesquisa tem relevância científica e social por tratar de tema silenciado na nossa sociedade e quer contribuir para a reflexão e superação do racismo no Brasil. Para realizar o objetivo acima citado, foram entrevistadas mulheres afrodescendentes que conquistaram sucesso na vida escolar, acadêmica e profissional, superando preconceitos e discriminações. São emocionantes os depoimentos ao mesmo tempo são importantes para as gerações mais jovens que, na contemporaneidade, também enfrentam discriminações raciais. Embora as entrevistadas não tenham a intenção de serem ícones, são exemplos de vitória numa sociedade marcadamente racista e sexista.
As afrodescendentes entrevistadas trazem em comum a dedicação aos estudos como meio eficaz para superarem barreiras. Este dado pode ser usado como justificativas para a ala contrária às cotas para o ingresso de afrodescendentes nas universidades. Por outro lado, diametralmente oposto, lança luz sobre o mesmo tema, pois ainda os afrodescendentes são minoria nos espaços acadêmicos, seja como graduand@, mestrand@, doutorand@ e professor@ universitári@. Dados do IBGE (PNAM, 2008) demonstram a presença rarefeita dos afrodescendentes nos espaços acadêmicos, apresentando proporção de 20,8% para brancos e 7,7% para pretos e pardos entre estudantes de 18 a 25 anos frequentando Ensino Superior.  No tocante a conclusão dos cursos universitários os números baixam ainda mais, 14,3% para brancos e 4,7% para pretos e pardos.
Outro aspecto comum entre as entrevistas foram as situações de discriminação enfrentadas ao longo das suas trajetórias de vida. Foram impedidas de participar de festividades promovidas pelas escolas que frequentaram; às vezes sem explicação; outras vezes era dito que era por serem negras. Também citaram situações em que foram e ainda são confundidas com empregadas domésticas. Este fato demonstra a concepção preconceituosa sobre a mulher negra, concebida como alguém sem escolaridade e, por isso, vista como trabalhadora de baixa qualificação profissional. Neste sentido, merece um adendo às empregadas domésticas que têm se organizado para o fortalecimento da categoria, buscando espaço político e investindo na qualificação das profissionais.  Esta realidade denota que, para a sociedade brasileira, alcançar boa qualificação acadêmica e ser profissional de qualidade não são atributos para afrodescendentes. Para as mulheres entrevistadas, o racismo ainda persiste mesmo tendo conquistado sucesso acadêmico e profissional.
Ao longo dos anos as mulheres têm conquistado espaços inusitados na sociedade brasileira e mundial, ocupando lugares antes concebidos como específicos para os homens. No entanto, mesmo constatando-se a capacidade feminina, os preconceitos ainda prevalecem; as concepções sobre o papel feminino ainda o condiciona a coadjuvante na superação dos entraves da convivência e na busca de solução para problemas seculares.
As mulheres foram à luta ultrapassando os limites impostos e foram mostrando para si mesmas sua condição de colocar suas capacidades em movimento, gerando mudanças no comportamento e, consequentemente, já não se limitando às fronteiras antigas. Do mesmo modo, as afrodescendentes vêm conquistando seu espaço e abrindo perspectivas para novo modo de ser e de se por no mundo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A DESIGUALDADE NO BRASIL TEM SEXO E COR

Elizete Dias da Silva

(Mestranda em Educação UFPI)



Cicatrizes de Leslie Amaral



O Brasil é conhecido pela sua vasta riqueza natural. Mas também sua injusta distribuição de renda. Poucos têm mais recursos e oportunidades que a imensa maioria pobre da população. Esta realidade também se aplica ao estado do Piauí.
As mulheres negras são vítimas de tripla discriminação: por ser mulher, negra e pobre. Nossa sociedade patriarcal, sexista elegeu o homem branco, heterossexual como padrão. Em decorrência de tal escolha, a sociedade olha com reserva famílias cujo comando seja da mulher. A mulher tem seus ganhos salariais reduzidos se comparados com os salários dos homens. Caso esta mulher seja negra, a discriminação se avoluma, porque além de ser mulher pertence a um contingente que historicamente é marginalizado e discriminado pela cor. Os negros são pobres.
O Piauí não tem oficialmente presença de nações indígenas, embora haja na sua população traços fisionômicos marcantes de descendência indígena. Sabemos da existência dessas nações no passado e do seu extermínio em decorrência da invasão de outros povos às terras piauienses. Indígenas e negros, na nossa história, tiveram o mesmo tratamento. Vejamos a carta de Esperança Garcia.
A CARTA

"Eu sou hua escrava de V. Sa. administração de Capam. Antº Vieira de Couto, cazada. Desde que o Capam. lá foi adeministrar, q. me tirou da fazenda dos algodois, aonde vevia com meu marido, para ser cozinheira de sua caza, onde nella passo mto mal.
A primeira hé q. ha grandes trovoadas de pancadas em hum filho nem sendo uhã criança q. lhe fez estrair sangue pella boca, em mim não poço esplicar q. sou hu colcham de pancadas, tanto q. cahy huã vez do sobrado abaccho peiada, por mezericordia de Ds. esCapei.
A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confeçar a tres annos. E huã criança minha e duas mais por batizar.
Pello q. Peço a V.S. pello amor de Ds. e do seu Valimto. ponha aos olhos em mim ordinando digo mandar a Procurador que mande p. a fazda. aonde elle me tirou pa eu viver com meu marido e batizar minha filha q.
De V.Sa. sua escrava Esperança Garcia”

(Disponível em: <http://www.fnt.org.br/reportagens.php>.  Acessado em 02/11/2010.)

Na época da escravidão oficial no Brasil, no Piauí houve um fato que até pouco tempo não se tinha notícia: uma escrava alfabetizada escreveu uma carta denunciando os maus tratos que sofria por parte de um administrador da fazenda em que ela morava. Não sabemos o desdobramento da denúncia, mas o fato chama atenção. Uma escrava alfabetizada! Mulher e escrava; vítima de maus tratos; denuncia a situação de sofrimento. Estes dados relembram a condição de muitas mulheres no Piauí e no Brasil. Todavia, sua atitude de escrever denota uma conquista valorosa em se tratando do tempo da escravidão. Usou o conhecimento para denunciar a situação em que ela estava submetida junto com outras “parceiras”, como também o não cumprimento do administrador em providenciar o sacerdote para batizar as crianças e escutar as confissões dos escravos. Esperança Garcia não tem o rosto conhecido, não sabemos como eram seus traços físicos, mas não deveriam ser diferentes de tantos rostos de mulheres negras, piauienses.
Temos um exemplo histórico de protagonismo feminino no Piauí. Certamente, há outros tantos protagonismos de mulheres que ficaram e ficam no anonimato. A partir dos textos estudados e do exemplo de Esperança Garcia, propomos a seguinte atividade:

Faça uma enquete sobre a mulher na condição de comando nas mais diversas situações.
As respostas recolhidas confirmam ou não o pensamento antigo de que as mulheres não servem para comandar? Por quê? 



REFERÊNCIAS 


Disponível em: <http://www.fnt.org.br/reportagens.php>. acesso em: 02 nov. 2010.
Disponível em:  < http://biografias.netsaber.com.br/ver_biografia_c_1903.html>. Acesso em 02 nov. 2010.
Disponível em: <http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/05/%E2%80%9Ccicatrizes%E2%80%9D-africa-marcada-no-mube%E2%80%9Ccicatrizes%E2%80%9D-africa-marcada-no-mube/>. Acessado em 21 fev. 2011.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mulheres negras predominam no trabalho doméstico

Segundo pesquisa realizada pelo Sistema Pesquisa de Emprego e Desemprego intitulada "As mulheres no mercado de trabalho do Distrito Federal" as mulheres negras estão em maior número dentre aquelas que trabalham em empregos vulneráveis, tais como, serviços domésticos. Trazendo como referência a capital de nosso país, isso representa algo significativo para o poder público e a população em geral. As mulheres brasileiras ainda são maioria em locais como comércio, indústrias e nos serviços domésticos. Dentre essas, as mulheres negras continuam liderando nos locais de serviços domésticos. E, ainda com baixa remuneração, menos direitos garantidos, etc. Por que isso ainda acontece?
De acordo com alguns gráficos e tabelas referentes a 2009 os pesquisadores dizem:
As mulheres ocupam 47,6% do total de postos de trabalho existentes no Distrito Federal.
Os Serviços respondem por um pouco menos do que 2/3 do contingente de trabalhadoras
(63,5%), seguidos, à distância, pelos Serviços Domésticos (17,0%), Comércio (14,4%) e Indústria (3,3%) (Gráfico 1).
Ainda:
Do ponto de vista da raça/cor, o Gráfico 1 demonstra que, em 2009, havia maior equilíbrio
da participação entre negras e não-negras na Indústria e no Comércio, enquanto sobressai a
proporção de não-negras nos Serviços e de negras nos Serviços Domésticos.
Essa característica peculiar nos Serviços Domésticos também pode ser constatada ao se
observar a Tabela 1: do total de mulheres ocupadas em 2009, 64,5% eram negras e 35,5%
não-negras; tal distribuição assemelha-se entre as ocupadas na Indústria, no Comércio e nos
Serviços, enquanto nos Serviços Domésticos havia uma sobre-representação de mulheres
negras (81,0%). Importante notar que, entre 2000 e 2009, permaneceu praticamente
inalterada a sobre-representação das trabalhadoras negras nos serviços domésticos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SIS 2010: Mulheres mais escolarizadas são mães mais tarde e têm menos filhos

Fecundidade varia com escolaridade, cor ou raça e região de residência das mulheres
Em 2009, a taxa de fecundidade total (número médio de filhos que uma mulher teria ao final do seu período fértil) foi de 1,94. Esse valor resulta de um declínio da fecundidade na sociedade brasileira, nas últimas décadas. Rio de Janeiro (1,63) e Minas Gerais (1,67) tinham em 2009 as menores taxas; Acre (2,96) e Amapá (2,87), as maiores. Este declínio da fecundidade vem ocorrendo nas últimas décadas em todas as regiões e em todos os grupos sociais, independentemente da renda, cor e nível.
A escolaridade é um dos condicionantes do comportamento da fecundidade feminina. Para o país como um todo, as mulheres com até 7 anos de estudo tinham, em média, 3,19 filhos, enquanto o número de filhos das mulheres com 8 anos ou mais de estudo era 1,68. Comparando os valores regionais extremos, a distância que separa a fecundidade das mulheres menos instruídas da região Norte (3,61) daquelas que possuem mais escolaridade no Sudeste (1,60) era de 2,01 filhos.
Entre as mulheres com menos de 7 anos de estudo, o grupo de 20 a 24 anos de idade concentrava, em 2009, 37% da fecundidade total, e o de 15 a 19 anos, 20,3%. Já entre as mulheres com 8 anos ou mais de estudo, os grupos etários de 20 a 24 anos (25,0%) e de 25 a 29 anos (24,8%) concentravam, juntos, quase metade da fecundidade, e o grupo entre 15 e 19 anos concentrava 13,3%. Entre as mulheres com menor grau de instrução o padrão de fecundidade tende a ser mais jovem. Como resultado, a idade média com que as mulheres têm filhos também se diferenciava pela instrução: entre aquelas com menos de 7 anos de estudo, a média era de 25,2 anos. Entre as que tinham 8 anos ou mais de escolaridade, a idade média era 27,8, uma diferença de 2,6 anos.
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1717&id_pagina=1
acesso em: 26/09/2010.

Roda Griô Mulher Afrodescendente: debates sobre raça, gênero e Educação

“As mulheres têm lutado bastante por respeito e igualdade entre os sexos e já conquistaram vários direitos, mas ainda sofrem preconceito; muitas vezes, principalmente se forem negras, não são reconhecidas devidamente pela sociedade tendo que mostrar suas capacidades todos os dias.” (Thaysy Luanna R. Sousa).

Desta forma, existe número crescente de mulheres que vem galgando sucesso, superando estatísticas educacionais, por exemplo.  Esta conquista é importante não só como vitória pessoal, mas pelo fato de trazer para o debate as políticas públicas de ações afirmativas e as condições para se pensar uma sociedade em que a dignidade e a cidadania sejam respeitadas. 

Sobre as conquistas e também sobre   os   desafios do caminho a ser construído, o Grupo de estudo “Estórias de brasileiras afrodescendentes de sucesso: diferenciações inter-geracionais de raça e gênero na Educação”, promoveu nos dias 18 e 19 de novembro de 2010, o evento “Roda Griô Mulher Afrodescendente: debates sobre raça, gênero e educação”.
Os objetivos do evento foram:
· Promover debate sobre a realidade da mulher afrodescendente;
· Tornar conhecido o Grupo e socializar o trabalho que vem sendo desenvolvido sobre a mulher afrodescendente;
· Provocar debate sobre o dia da Consciência Negra como Consciência Brasileira.

A Programação foi a seguinte:
DIA 18/11/2010
08h-10h   Sala de Vídeo/CCE
Inscrição e Abertura
Prof. Dr. José Augusto de Carvalho Mendes Sobrinho
“Consciência Negra/Consciência Brasileira?”—Prof. Francis Musa Boakari (Pós-Ph.D., DEFE, CCE/UFPI)
10h-12h   Sala de Vídeo/CCE
“Experiências educacionais de mulher brasileira afrodescendente”—Vereadora Maria do Rosário de Fátima Biserra Rodrigues.
14h-16h (exibição de filmes)
Auditório—CCE
“Mojubá (sobre afrodescendência) - Francilene Brito da Silva
Sala de Vídeo—CCE
“Nota 10” (sobre afrodescendência e escola) - Vicelma Maria de Paula Barbosa Sousa e Wladimy Lima Silva
16h-18h  Auditório—CCE
Mesa Redonda: “Brasileiras afrodescendentes: conversa sobre conquistas e desafios”—Profa. Francisca do Nascimento Sousa (Mestra/UFPI)
Jascira da Silva Lima (Mestra/UFCG)
Coordenadora: Ir. Elizete Dias da Silva (Psicóloga/ UFBA, Mestranda/UFPI) 
DIA  19/11/2010
08h-10h   Auditório—CCE
Roda Griô “Pesquisa sobre Estórias de brasileiras afrodescendentes”— Pesquisadoras do CCE:
Maura Talita Araújo de Sousa,
Ruhama Marisbela Aguiar Alves,
Thaysy Luanna Rocha Sousa,
Iana Mara Bento de Sousa,
Coordenador: Prof. Francis Musa Boakari
10h-12h   Auditório—CCE
“A mulher e sua inserção sócio-político no Piaui”— Pesquisadora: Maria Hortência Mendes de Sousa
14h-16h  (exibição de filmes)
Auditório—CCE
“Kiriku e a Feiticeira” - longa de Michel Ocelot—Francilene Brito da Silva e Valdenia Pinto de Sampaio Araújo
16h-18h   Auditório—CCE
“Professora, Doutora em Educação, pesquisadora e negra”—Profa. Ana Beatriz Sousa Gomes (Doutora/UFC)
18:30h Encerramento—Beira Mar Capoeira

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Tópicos da Reunião - dia 13/09/2010

1. Já fizemos uma Pesquisa Exploratória: foram entrevistadas mulheres com o perfil datado dos anos 90 em diante, mas os dados sobre os períodos e os níveis de escolarização estão todos misturados;
2. Seria melhor, agora, fazermos entrevistas e análises visando os níveis de escolarização nos períodos de 1990 aos dias atuais;
3. Os dados mais antigos não foram lembrados pelas entrevistadas. Isso nos reporta para algumas indagações: "o não dito" significa o quê? Elas não querem lembrar? Não querem falar? Não o quê???? Qual ou quais os esforços que estamos fazendo para adquirir os dados relevantes entre os anos 60-80, 80-90 e 90 aos dias atuais?
4. Estratégias a serem utilizadas agora:
Ler os relatórios das entrevistas;
Ler textos da bibliografia para interpretação desses relatos;
Entrevistar as sujeitas focalizando os 1°. 2° e 3° níveis do ensino a partir dos anos 90;
Procurar dados oficiais (do PNAD/IBGE, DIEESE,INEP,CAPES,FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS,IPEA,CÁRITAS,FLORA ISABEL, ROSÁRIO BEZERRA, ETC.)
5. Taise ficou responsável para procurar informações sobre o XVIII Seminário de Iniciação Científica da UFPI;
6. Francilene ficou de organizar o blog.
Teresina 14/09/2010.

CALENDÁRIO DAS REUNIÕES e REGISTRO DA REUNIÃO DO DIA 06/09/2010

DATA MEDIADORA/OR

06/09 PROF. FRANCIS

13/09 ILEANA

20/09 ELIZETE

27/09 MEIRE MICHELE

04/10 MAURA

11/10 RUHAMA

18/10 IANA

25/10 FRANCILENE

01/11 PROF. FRANCIS

08/11 ILEANA

22/11 ELIZETE

29/11 MEIRE MICHELE



REUNIÃO
No dia 06/09/2010 nos reunimos na sala 419 da UFPI: Prof. Francis, Ileana, Elizete, Meire Michele, Maura, Ruhama, Iana e Francilene. No início todas se apresentaram, a partir de questões escritas no quadro pelo professor: quem sou eu? Por que estou aqui? Pretensões para o segundo semestre de 2010. Após as apresentações, o professor Francis fez algumas considerações: espera que as mestrandas ajudem na comunicação para compreender e entender melhor a pesquisa. “Fazer perguntas ajuda mais que dar respostas. É importante ter um objetivo. No que diz respeito a quem se é o importante é ter controle do que você é”.
Firmamos o dia e horário para as nossas futuras reuniões: nas segundas-feiras, às 18h30min. A Elizete fez o calendário, contendo o dia e o nome da mediadora, que fará o registro do encontro; o calendário foi enviado para todos os membros, como também o registro deste encontro. Para o dia 13/09 ficou certo que faremos a leitura do Projeto PIBIC.
O professor Francis falou que o pessoal da graduação deverá comunicar o horário de estudo para estabelecer uma sistemática de como prever o programa de iniciação científica.
As reuniões acontecerão a partir de leitura de texto, debate, conteúdo das entrevistas realizadas, aplicação das leituras sobre o que foi colhido nas entrevistas e vice e versa. Buscaremos a partir dos relatórios do pessoal da graduação novas possibilidades. As mestrandas irão ajudar na elaboração de outras perguntas. Também se trabalhará com as leituras citadas no Projeto. As entrevistas foram feitas com pessoas que estão na Universidade; é importante também entrevistar pessoas que já saíram da universidade e pessoas de diferentes cursos.
Teresina, 06 de setembro de 2010.
Por Ir. Elizete Dias da Silva

Núcleos de Pesquisa

O projeto está relacionado aos - Núcleo de Estudos e Pesquisas – EDUCAÇÃO, GÊNERO E CIDADANIA (NEPEGECE) do CCE, e IFARADÁ – Grupo de Estudos da Afrodescendência e das Africanidades, localizado no CCHL. São cadastrados no CNPq, e através de seus integrantes, em tempos recentes, têm desenvolvido as atividades mencionadas abaixo:
01. NEPEGECE - Manutenção do Observatório das Juventudes e Violência na Escola – um espaço para estudos, discussions, debates e orientações de alunas(os);
02. NEPEGECE - Desenvolvimento de pesquisas e estudos, como também, organização de seminários sobre juventudes, violências e cultura de paz nas escolares.

RISCOS E DIFICULDADES

Pela natureza do estudo, a metodologia proposta e as pessoas a serem envolvidas, acredito que há um limitado número de riscos e dificuldades. Entretanto, quando um pesquisador está tratando de outras pessoas, outros agentes sociais, é sempre aconselhável se preparar para situações previsitas. Neste sentido, o maior risco previsto é que as entrevistas levem as participantes a lembrarem de experiências negativas, situação que poderia lhes causar incomodo psicológico. Se isto vier a acontecer, acredito que com muito cuidado e carinho, lembranças emocionalmente perturbadoras, poderiam ser prevenidas ou trabalhadas ou controladas pelo pesquisador e a entrevistada através de uma conversa aberta. Se esta medida não ajudar, a assistência de um outro profissional seria recomendada.

Um outro risco consistiria na “fabricação de estórias” por uma entrevistada a fim de se fazer passar por uma outra pessoa. Em relação à uma tentativa de contribuir narrativas fictícias, as entrevistas focalizadas ajudariam detectar tais tramas, e assim, ajudar eliminar tais estórias; “contos de fada” que contaminariam a confiabilidade das informações se deixadas para fazer parte dos dados a serem analisados e interpretados.
Um terceiro risco neste estudo envolveria o chamado síndrome “da perda de voz dos participantes numa pesquisa qualitativa”. Esta situação acontece quando o pesquisador relata as informações que ele quer relatar para levar os dados a confirmar as suas hipóteses, e assim, excluindo as informações e evidências fornecidas por uma pessoa que foi entrevistada. A melhor maneira de controlar este risco é através de auto-controle, ficando consciente de que a investigação envolve as mulheres sujeitos, e não o pesquisador, muito menos as bolsistas. Este risco também, será controlado através da checagem das informações por cada participante na fase da organização e análise dos dados. Desenvolvimento das atividades de pesquisa em grupo, envolvendo docente e discentes pesquisadores, também, está ajudando proteger o projeto do citado perigo científico.
Em termos das possíveis dificuldades, estou ciente de dois problemas que poderiam ainda, comprometer o estudo de modo significativo. O primeiro diz respeito à demora no recrutamento de participantes com informações mais relevantes para melhor entender o problema desta pesquisa. Esta situação está sendo influenciada pela natureza do estudo que envolve mulheres afrodescendentes de pelo menos trêgerações diferentes. Apesar de ser uma barreira que está dificultando um desenvolvimento dos trabalhos de acordo com o cronograma pensado, gradativamente, participantes mais relevantes para a pesquisa estão sendo encontradas. Com a participação continuada das bolsistas e outros assistentes de pesquisa, os efeitos negativos desta situação estão sendo controlados.
Uma dificuldade prevista envolve o não-cumprimento adequado do cronograma do projeto. No tocante a tal possibilidade, além de contemplar esta possibilidade na programação prática do estudo, se e quando for necessário, o calendário de atividades da pesquisa será modificado a fim de fazer com que o mesmo ajude em fazer o estudo mais exequível. Outras adaptações serão acomodadas quando necessário, especialmente quanto às participações de um contingente significativo de mulheres afrodescendentes que poderiam fornecer informações relevantes para a questão central do estudo.
Finalmente, para garantir a natureza voluntária da participação das mulheres, cada uma solicitada a ser entrevistada, receberá todos os esclarecimentos sobre o projeto. Receberá, também, para maiores esclarecimentos, o informativo, TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO e uma ficha (Anexo B), a ser assinada e arquivada pela equipe.

RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS

Os desafios encontrados pelos grupos sub-representados nas suas interações com as instituições continuam enormes. A natureza complexa destas instâncias e agências sociais, os indivíduos que as fazem funcionar, o interesse dos grupos (elites e dominantes) que elas representam e as recompensas em jogo somente adicionam mais elementos complexos no que diz respeito às tentativas de resiliência; esforços para superar as barreiras sociais de modo consistente é também complexa e multi-facetada. Como consequência, nenhuma investigação nos dará todas as informações que necessitamos para uma boa compreensão da sociedade enquanto procuramos desenvolver estrategias eficientes para enfrentar problemas de práticas de desigualdade e discriminação.
Neste sentido, os resultados deste estudo vão ampliar e adicionar outras perspectivas às informações existentes não somente sobre as práticas discriminatórias e excludente numa sociedade como a brasileira, mas também, oferecer dicas sobre as estrategias que sujeitos sociais, como as mulheres afrodescendentes, empregam para chegar ao sucesso neste contexto sócio-histórico.
Outra importância das informações advindas do estudo é sua natureza intergeracional. Analisar questões de raça e gênero numa abordagem histórica como está sendo proposta aqui, poderá trazer mais esclarecimentos sobre estes problemas. As mudanças que têm acontecidas poderiam ser colocadas no quadro geral do progresso democrático do país. Da mesma forma, os discursos de transformações que não mudam nada, ou somente trazem poucas modificações significativas, serão descobertos. Neste mesmo sentido, os resultados do estudo em questão poderiam demonstrar a maneira como as pessoas, especialmente as vítimas das discriminações, entendem e tratam alguns dos problemas que enfrentam ao tratar com as instituições e alguns indivíduos significantes do seu cotidiano.
Pesquisadores do campo de estudos sobre raça e gênero serão enriquecidos pelas experiências disseminadas depois da pesquisa. Um maior entendimento de como as mudanças históricas e políticas influenciam os fatores sociais será possível. Outras dimensões da investigação serão muito importantes porque estas buscas normalmente produzem informações úteis para pesquisas em diversos campos.
Considerando que o estudo é um dos poucos nesta área, focalizando interações entre diversos elementos, particularmente raça e gênero, possibilitará outras pesquisas da mesma linha. Ao mesmo tempo, a realização desta investigação poderia servir de base para estudos semelhantes com até mais formas criativas de analisar as questões de raça e gênero neste diversificado mundo globalizado de hoje. Como os fatores de raça e gênero interagem numa sociedade multi-racial precisa ser mais pesquisada por causa dos constantes discursos de modernização e democratização acontecendo no Brasil. Esta pesquisa é tentativa nesta direção de realizar estudos que potencializam o desenvolvimento contínuo de cidadãs e cidadãos brasileiras(os) por causa de suas repercussões sociais.
Este projeto e os resultados sendo colhidos servem de incentivo-base para tratar, não somente das questões em relação às “Cotas para a População Negra”, mas também, da implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 referentes à incorporação do ensino das Histórias Africana e Culturas Afro-Brasileira e Indígena. As implicações históricas e contemporâneas destes fatores novos no tratamento dos afrodescendentes e das diversidades no Brasil parecem apontar caminhos para um outro país.
De um modo sucinto, este estudo (resultados e conclusões) vai fazer contribuições valiósas em fornecer informações relevantes para elaboração-desenvolvimento de políticas públicas que atendam às reais necessidades do povo; políticas e práticas que visem atender aos anseios das mais marginalizadas da sociedade brasileira; os impactos sociais chegando às mais excluídas. No campo da educação escolar, esta investigação fornece não somente informações importantes para desenvolvimento de currículos que atendam a população brasileira, mas acima de tudo, apoiar em fazer a educação escolar que o país realmente precisa para este século XXI; os impactos acadêmicos. Seguindo esta mesma linha de pensamento, a escola brasileira que realmente representa e incorpora a essência da diversidade brasileira, teria melhores condições para ajudar na educação de suas cidadãs e de seus cidadãos quem assim, participariam significativamente nas vidas sociais, econômicas, políticas e culturais do Brasil.

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